O humano como montagem, o animal como recusa: "A paixão segundo G.H." e o périplo outro que humano
DOI:
https://doi.org/10.47456/ajnamm84Palavras-chave:
Animalidade, Clarice Lispector, Estudos Animais, A paixão segundo G.H.Resumo
Este artigo propõe uma leitura das categorias “humanidade” e “animalidade” com base nas contribuições de autores como Rosi Braidotti e Aristóteles, buscando discutir as origens e os modos pelos quais se estabeleceu uma hierarquia entre o humano e o animal. A partir dessa leitura, este trabalho analisa a narrativa A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, com atenção especial às formas pelas quais a escrita clariceana tensiona noções correntes atribuídas ao humano e ao animal, concebendo o primeiro como uma construção histórica e discursiva e o segundo como aquilo cuja recusa sustenta uma determinada ideia de humanidade no Ocidente.
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