Na raiz fóssil da humanidade: colonização e Antropoceno em "O gosto amargo dos metais", de Prisca Agustoni
DOI:
https://doi.org/10.47456/dy5yg397Palabras clave:
O gosto amargo dos metais, Antropoceno, colonização, universalidade, racialidadeResumen
Este ensaio propõe uma leitura do livro O gosto amargo dos metais (2022), de Prisca Agustoni, a partir da reflexão sobre a ideia de “humano” e a enunciação de um “nós” ali articuladas. Para isso, partimos tanto de uma breve contextualização da tradição poética acionada pelos poemas quanto de um mapeamento mais amplo dos debates teóricos e sociais que envolvem o livro, na medida em que é publicado como desdobramento dos crimes ambientais empreendidos por mineradoras em Mariana (2015) e Brumadinho (2019). Assim, em um primeiro momento, discutimos as problematizações em torno das dicotomias entre natureza e cultura, humano e não-humano na esteira do que ficou conhecido, na antropologia, como “virada ontológica”. Em seguida, nos debruçamos, junto às demandas abertas pelos poemas, nas perspectivas críticas ao Antropoceno (Povinelli; Yusoff; Colebrook), visibilizando questões sobre racialidade e universalidade. Por fim, fazemos uma digressão que aponta para outros modos de lidar com a extração, a diáspora e a opacidade em Minas Gerais, ao colocar O gosto amargo... ao lado da tese de doutorado de Agustoni, O Atlântico em movimento: travessia, trânsito e transferência de signos entre África e Brasil na poesia contemporânea em língua portuguesa (2007).
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