Transtextualidade insurgente: entre o arquivo colonial e os futuros decoloniais
DOI:
https://doi.org/10.47456/145y2p34Palavras-chave:
Transtextualidade insurgente, Naturalismo brasileiro, Steampunk , Inglês de Sousa, Enéias TavaresResumo
Este artigo propõe uma análise transtextual (Genette, 1989) da personagem Vitória, retratada no conto “Acauã”, de Inglês de Sousa, de 1893, e recriada em Parthenon místico: um romance de Brasiliana Steampunk (2020), de Enéias Tavares. Enquanto, na narrativa de Sousa, a personagem simboliza o conceito naturalista da indígena exótica, racializada e animalizada, o romance de Tavares subverte essa imagem, ao representá-la como um sujeito dotado de sabedoria ancestral e que domina tecnologias steampunks. Essa mudança de perspectiva, pautada na transtextualidade, opera como um deslocamento do arquivo colonial para uma noção de futuros decoloniais e, por isso, é insurgente. Nesse sentido, com base em Rivera Cusicanqui (2018), Munanga (2019), Quijano (2005) e Oyěwùmí (2021), discutimos a importância do debate acerca da literatura decolonial. Assim, defendemos as movimentações de resgate de obras literárias, com vistas à atualização de suas narrativas e refundação do imaginário coletivo, a partir de diálogos transtextuais insurgentes.
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