“Vocês me entenderam errado”

cancelabilidade de implicaturas e recuperação de face positiva em linchamentos virtuais

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.47456/rctl.v20i44.52252

Palabras clave:

Implicatura conversacional, Cancelabilidade, Face positiva, Retratação, Discurso digital

Resumen

Este artigo investiga tentativas de cancelamento de implicaturas como estratégias de polidez voltadas à recuperação da face positiva em contextos de linchamento virtual. Articulam-se a teoria das implicaturas de Grice (1975), a Teoria da Polidez (Brown; Levinson, 1987) e a análise metapragmática (Silverstein, 1993). Por meio da análise qualitativa de dois casos de ampla repercussão em redes sociais brasileiras, examinam-se os enunciados controversos, suas retratações e as avaliações registradas na recepção. Propõem-se a distinção entre cancelabilidade lógica e cancelabilidade interacional e a categoria analítica de FTA reverso. Nos dois casos, as recontextualizações são semântico-formalmente compatíveis com os enunciados originais, mas os comentários selecionados documentam resistência à revisão das interpretações controversas. O FTA reverso é identificado apenas no caso em que a reatribuição de responsabilidade interpretativa à audiência é explicitamente contestada. Conclui-se que a possibilidade lógica de cancelamento não garante sua eficácia interacional.

Descargas

Los datos de descarga aún no están disponibles.

Biografía del autor/a

  • Marcos Vinicius Rodrigues Silva, Universidade Federal do Espírito Santo

    Bacharel em Tradução e Interpretação pela Universidade Nove de Julho. Mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Espírito Santo com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Licenciando em Língua Portuguesa também pela Universidade Federal do Espírito Santo. Doutorando em Estudos Linguísticos pela mesma instituição com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES). 

  • Maria da Penha Pereira Lins, Universidade Federal do Espírito Santo

    Graduada em Letras Português-Inglês pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), doutora em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e possui pós-doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Professora do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Ufes.

Referencias

BROWN, P.; LEVINSON, S. C. Politeness: some universals in language usage. Cambridge: Cambridge University Press, 1987.

CÂMARA MUNICIPAL DE JUCÁS (@camarajucas). Nota de esclarecimento sobre declaração do vereador. [Instagram]. 20 set. 2023. Disponível em: https://www.instagram. com/p/CxavhG7LqA3/. Acesso em: 12 fev. 2026.

CAP, P. Pragmatics, micropragmatics, macropragmatics. Lodz Papers in Pragmatics, v. 6, n. 2, p. 195-228, 2010.

CLARK, M. D. DRAG THEM: a brief etymology of so-called “cancel culture”. Communication and the Public, v. 5, n. 3-4, p. 88-92, 2020.

DANCYGIER, B. Interpreting conditionals: time, knowledge, and causation. Journal of Pragmatics, v. 19, n. 5, p. 403-434, 1993.

EELEN, G. A critique of politeness theories. Manchester: St. Jerome Publishing, 2001.

G1. Vereador sugere que autismo “se cura na peia e na chibata”; vídeo. G1, 20 set. 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2023/09/20/vereador-sugere-que- autismo-se-cura-na-peia-e-na-chibata-video.ghtml. Acesso em: 17 fev. 2026.

GRICE, H. P. Logic and conversation. In: COLE, P.; MORGAN, J. L. (org.). Syntax and semantics. v. 3: Speech acts. New York: Academic Press, 1975. p. 41-58.

HERRING, S. C.; STEIN, D.; VIRTANEN, T. Introduction to the pragmatics of computer-mediated communication. In: HERRING, S. C.; STEIN, D.; VIRTANEN, T. (org.). Pragmatics of computer-mediated communication. Berlin; Boston: De Gruyter Mouton, 2013. p. 3-32.

LAPIDOT-LEFLER, N.; BARAK, A. Effects of anonymity, invisibility, and lack of eye-contact on toxic online disinhibition. Computers in Human Behavior, v. 28, n. 2, p. 434-443, 2012.

LOPES, M. A. P. A cultura do cancelamento no dispositivo midiático: subjetividade e prática de si. Revista do GEL, v. 19, n. 1, p. 146-164, 2022.

LUCINHO, Pr. (@prlucinho). Vídeo de esclarecimento sobre fala polêmica. [Instagram]. 2024. Disponível em: https://www.instagram.com/reels/C6ggCCLgX6C/. Acesso em: 15 fev. 2026.

NG, E. No grand pronouncements here...: reflections on cancel culture and digital media participation. Television & New Media, v. 21, n. 6, p. 621-627, 2020.

NORRIS, P. Cancel culture: myth or reality? Political Studies, v. 71, n. 1, p. 145-174, 2023.

NP OFICIAL (@NP__Oficial). Brasil: l Vereador sugere que autismo se cura 'na peia' e 'na chibata'. [X]. 20 set. 2023. Disponível em: https://x.com/NP__Oficial/status/1704609578 833375655. Acesso em: 17 fev. 2026.

O TEMPO. Pastor gera polêmica após relatar beijo na boca da filha. [Instagram]. 2024. Disponível em: https://www.instagram.com/reels/C6gW46lyf1o/. Acesso em: 10 fev. 2026.

OLIVEIRA, R. P. de; BASSO, R. M. Arquitetura da conversação: teoria das implicaturas. São Paulo: Parábola Editorial, 2014.

ORLANDINI, M. G.; CASSIANO, F. G. Central do cancelamento: potencialidades e esvaziamentos políticos discursivos da cultura do cancelamento. Comunicologia – Revista de Comunicação da Universidade Católica de Brasília, v. 14, n. 2, p. 1-16, 2022. Disponível em: https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RCEUCB/article/view/13568. Acesso em: 30 nov. 2024.

PALINKAS, L. A.; HORWITZ, S. M.; GREEN, C. A.; WISDOM, J. P.; DUAN, N.; HOAGWOOD, K. Purposeful sampling for qualitative data collection and analysis in mixed method implementation research. Administration and Policy in Mental Health and Mental Health Services Research, v. 42, n. 5, p. 533-544, 2015.

RABOUIN, T. “Cancel culture”, a rhetorical construction. GROW – Generation for Rights Over the World, 30 ago. 2021. Disponível em: https://www.growthinktank.org/en/ cancel-culture-a-rhetorical-construction/. Acesso em: 27 nov. 2024.

SILVERSTEIN, M. Metapragmatic discourse and metapragmatic function. In: LUCY, J. A. (org.). Reflexive language: reported speech and metapragmatics. Cambridge: Cambridge University Press, 1993. p. 33-58.

SULER, J. The online disinhibition effect. CyberPsychology & Behavior, v. 7, n. 3, p. 321-326, 2004.

WATTS, R. J. Politeness. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.

WATTS, R. J. Linguistic politeness research: Quo vadis? In: WATTS, R. J.; IDE, S.; EHLICH, K. (org.). Politeness in language: studies in its history, theory and practice. 2. ed. Berlin; New York: Mouton de Gruyter, 2005. p. xi-xlvii.

YUS, F. Cyberpragmatics: internet-mediated communication in context. Amsterdam: John Benjamins Publishing Company, 2011.

Publicado

03-09-2026