CRIANÇAS EM TEMPOS SOMBRIOS E AS POSSIBILIDADES DO (COM) VIVER NA CIDADE
DOI:
https://doi.org/10.22535/cpe.v21i49.26106Resumen
Este artigo coloca em evidência algumas reflexões acerca da voracidade de um tempo, cujos rastros obliteram a constituição de uma experiência pública como parâmetro da cidadania e direito. As crianças, como um dos grupos sociais mais vulneráveis à destituição do público, também são interpeladas a reproduzir relações que reforçam diferentes processos de exclusão, seja na experiência que fazem com a cidade, seja nas interações estabelecidas com crianças de grupos sociais e economicamente diferentes. Tomando por inspiração o poema de Brecht, ressaltado por Arendt (1987) em seu livro “Homens em tempos sombrios”, problematiza as possibilidades do (com)viver na cidade em uma sociedade desprovida de dimensão ética, atravessada por ressentimentos, injustiças, exclusões e discriminações. Aponta como horizonte para assegurar uma cidade para todas as crianças a necessária conversão da metrópole impessoal e excludente em um artifício humano capaz de enfrentar os tempos sombrios com sua pálida sombra de privatização do público e destituição da alteridade.
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