LITERATURA NEGRO-BRASILEIRA DO ENCANTAMENTO E AS INFÂNCIAS: REENCANTANDO CORPOS NEGROS
Resumo
Este texto parte “dos milagres de quem se salvou”, como afirma Conceição Evaristo. Como muitas mulheres negras brasileiras eu me considero uma sobrevivente por ter enfrentado a invisibilidade imputada a mim desde a infância até a vida adulta provocada pelo racismo, num país onde a democracia racial sempre foi um engodo que participam coletivamente diversos segmentos da população brasileira. Aqui, eu me pronunciarei na primeira pessoa do tempo presente para não me distanciar da corporeidade-texto compartilhado com vocês. Aqui apontarei um enquadramento necessário como forma, neste instante de minha vida como escritora e após 30 anos como ativista do Movimento Negro Unificado (MNU), compreender o tipo de literatura que tenho elaborado ao longo destes 11 anos no campo literário. Necessário afirmar que tenho elaborado Literatura Negro-Brasileira (Cuti, 2010) com um complemento meu: do Encantamento, pois a elaboro a partir de minhas experiências que vão de dentro para fora como mulher negra que fui, mantendo a minha criança negra viva dentro de mim para além de ser uma ativista nas lutas pelos direitos humanos focada em raça e gênero, pedagoga com mais de 25 anos de experiência em sala de aula trabalhando com crianças de 4 a 6 anos. Afirmo que existe uma literatura infanto-juvenil que se quer e assume-se como negro-brasileira sendo produzida pelo menos por mim. As referências teóricas fundamentais são Cuti (2010), Miriam Alves (2010), Hédio Silva Júnior (2018), Conceição Evaristo (2016), Carlos Moore (2014), Eduardo de Assis Duarte (2007), Pablo Dávaros (2014), Kiusam de Oliveira (2008, 2018), pois me ajudam a pensar no tipo de literatura infanto-juvenil que tenho produzido através dos meus livros. Meu objetivo é colocar-me como uma guia literaturista por minhas obras procurando conduzi-los por reflexões que cruzam direitos humanos, relações étnico-raciais e a Literatura Negro-Brasileira do Encantamento focada na infância.
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