A Antiguidade como campo de batalha visual
cinema, usos políticos do passado e a extensão universitária como letramento crítico
DOI:
https://doi.org/10.30712/qe60nr63Palavras-chave:
Cinema, História, Estudos de Recepção, Extensão universitária, Épicos bíblicos, Letramento visualResumo
A cultura histórica contemporânea é atravessada por uma “virada visual” que deslocou o centro de gravidade da produção de sentido sobre o passado da escrita acadêmica para as telas. Diante desse cenário, este artigo discute o potencial estratégico da extensão universitária na mediação entre o saber especializado e as representações cinematográficas da História Antiga. Partindo da premissa de que o cinema e as séries de televisão constituem hoje a principal fonte de informação histórica para o grande público (o conceito de historiofotia), argumenta-se que a universidade não deve rejeitar essas narrativas como meras falsificações anacrônicas, mas tomá-las como objetos privilegiados de análise da recepção. O trabalho analisa como produções icônicas, desde Spartacus e os épicos bíblicos da Guerra Fria (Ben-Hur, Quo Vadis), até obras contemporâneas como 300 e a série Roma, constroem identidades políticas e religiosas, cristalizando visões sobre o “Ocidente”, o cristianismo e a alteridade. Por fim, propõe-se uma metodologia extensionista baseada em oficinas de letramento visual crítico, visando desenvolver a competência do público para desconstruir os regimes de visualidade que operam nos usos públicos do passado clássico.
Downloads
Referências
300. Direção: Zack Snyder. Produção: Gianni Nunnari, Mark Canton, Bernie Goldmann, Jeffrey Silver. Estados Unidos: Warner Bros. Pictures, 2006. (117 min).
A PAIXÃO DE CRISTO (The Passion of the Christ). Direção: Mel Gibson. Produção: Mel Gibson, Bruce Davey, Stephen McEveety. Estados Unidos: Newmarket Films, 2004. (127 min).
BEN-HUR. Direção: William Wyler. Produção: Sam Zimbalist. Estados Unidos: Metro-Goldwyn-Mayer, 1959. (212 min).
BLANSHARD, Alastair J. L.; SHAHABUDIN, Kim. Classics on Screen: Ancient Greece and Rome on Film. London: Bristol Classical Press, 2011.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: Ministério da Educação, 2018.
CYRINO, Monica S. Big Screen Rome. Malden: Blackwell Publishing, 2005.
FERRO, Marc. Cinema e História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993.
FREDRIKSEN, Paula. Jesus of Nazareth, King of the Jews: A Jewish Life and the Emergence of Christianity. New York: Knopf Doubleday Publishing, 2000.
MARTINDALE, Charles. Redeeming the Text: Latin poetry and the hermeneutics of reception. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.
NAPOLITANO, Marcos. Como usar o cinema na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2003.
O MANTO Sagrado (The Robe). Direção: Henry Koster. Produção: Frank Ross. Estados Unidos: 20th Century Fox, 1953. (135 min).
QUO VADIS. Direção: Mervyn LeRoy. Produção: Sam Zimbalist. Estados Unidos: Metro-Goldwyn-Mayer, 1951. (171 min).
ROMA (Rome). Criação: John Milius, William J. MacDonald, Bruno Heller. Estados Unidos; Reino Unido; Itália: HBO / BBC / RAI, 2005-2007.
ROSENSTONE, Robert A. A história nos filmes, os filmes na história. São Paulo: Paz e Terra, 2010.
SAID, Edward W. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
SPARTACUS. Direção: Stanley Kubrick. Produção: Edward Lewis. Estados Unidos: Universal Pictures, 1960. (197 min).
WHITE, Hayden. Historiography and Historiophoty. American Historical Review, Washington, v. 93, n. 5, p. 1193-1199, 1988.
WINKLER, Martin M. (ed.). Classical Myth and Culture in the Cinema. Oxford: Oxford University Press, 2001.
WYKE, Maria. Projecting the Past: Ancient Rome, Cinema and History. New York: Routledge, 1997.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2024 Revista Guará

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
A Revista Guará adota a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), segundo a qual os autores mantêm os direitos autorais sobre seus trabalhos submetidos e publicados na revista.
Os autores são responsáveis por declarar que o manuscrito submetido é original, que não foi publicado anteriormente e que não está em processo de avaliação simultânea em outro periódico. Após a submissão, os manuscritos passam por processo de avaliação por pares.
Ao submeter o manuscrito, os autores concedem à Revista Guará o direito de primeira publicação, permanecendo livres para estabelecer acordos adicionais de distribuição não exclusiva da versão publicada (por exemplo, em repositórios institucionais, páginas pessoais ou como parte de obras futuras), desde que seja devidamente reconhecida a autoria e a publicação original na revista.
A Revista Guará incentiva a disseminação ampla dos trabalhos publicados, incluindo sua disponibilização em repositórios institucionais e outras plataformas, como forma de ampliar a visibilidade e o impacto da produção científica.
De acordo com a licença CC BY 4.0, os usuários têm o direito de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer meio ou formato;
- Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer finalidade, inclusive comercial.
Esses direitos são irrevogáveis, desde que sejam respeitados os seguintes termos:
- Atribuição — deve ser concedido o devido crédito aos autores, fornecido o link para a licença e indicada a realização de eventuais modificações. A atribuição deve ser feita de maneira razoável, sem sugerir apoio ou endosso por parte dos autores ou da revista ao uso realizado.
A licença não impõe restrições adicionais ao uso do material, não sendo permitido aplicar termos legais ou medidas tecnológicas que limitem os direitos concedidos pela licença.