Entre OWLs e SAEBs
como as avaliações podem moldar e limitar o processo de ensino-aprendizagem
DOI :
https://doi.org/10.47456/e5ebzw80Mots-clés :
Avaliação educacional; Políticas públicas; Subjetividade; Harry Potter; Educação básicaRésumé
O presente artigo analisa os impactos das avaliações nos processos de ensino-aprendizagem na educação básica brasileira, discutindo como instrumentos avaliativos, especialmente os exames em larga escala, podem limitar a formação integral dos sujeitos quando aplicados de forma padronizada, classificatória e normativa. Embora concebidos como ferramentas diagnósticas, avaliações como o SAEB e a ANA vêm assumindo um papel de controle que influencia diretamente o currículo, as práticas pedagógicas e a dinâmica escolar, comprometendo, entre outras consequências, a autonomia das escolas. A pesquisa, de caráter qualitativo e teórico-analítico, propõe uma reflexão crítica sobre essas ações e suas implicações na reprodução de desigualdades, a partir do pensamento de autores como Esteban (2002), Freire (1996), Patto (1999) e Hoffmann (2011). Para enriquecer a análise, o texto estabelece um diálogo com o universo ficcional de Harry Potter, tomando como referência os exames OWLs e NEWTs aplicados aos estudantes de Hogwarts como critérios de progressão acadêmica e profissional. A comparação entre realidade e ficção revela como os exames podem funcionar como dispositivos de controle e seleção, reforçando lógicas meritocráticas e excludentes. Ao problematizar a centralidade das provas no cotidiano escolar, o artigo aponta possibilidades de práticas avaliativas formativas, mais dialógicas e sensíveis aos contextos locais, destacando o potencial emancipador da avaliação quando concebida como parte do processo educativo, e não como ponto de chegada.
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