A APLICABILIDADE DE PRECEITO COMINATÓRIO DE OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER NA EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER INFUNGÍVEIS COMO MODO DE OBTENÇÃO DA TUTELA ESPECÍFICA IN NATURA POR MEIO DAS MEDIDAS COERCITIVAS INDIRETAS PREVISTAS NO PARÁGRAFO 5º DO ART. 461 DO CPC

Autores

  • Carlos Eduardo Campista de Lyrio

Resumo

Não é raro o Réu já condenado e com sentença transitda em julgado ou mesmo em sede de tutela antecipada recusar-se a cumprir a obrigação a ele imposta sobretudo quando a obrigação somente ele poderá cumprir (manus proprium) posto tratar-se de obrigação de cunho personalíssimo (obrigações de fazer infungíveis). Nestas obrigações há interesse daquele que firma o contrato em que o demandado realize um trabalho determinado o qual se obrigara no contrato e decidira não realizar, mas que somente ele poderá fazê-lo. O pacto que dá origem à referida espécie de obrigação fora estabelecido justamente em razão da pessoa que o irá praticar. Há interesse, portanto, em seu “renome”. Há, entretanto, uma impossibilidade de se impor ao devedor obrigado a uma obrigação de fazer infungível (obrigação positiva personalíssima) uma coerção direta. Como, então, resolver a crise do descumprimento especificamente relacionadas às problemáticas obrigações personalíssimas tendo-se por paradigma esta impossibilidade? 

Importa sopesar que esta impossibilidade não é somente prática (física) mas jurídica conforme pontua DINAMARCO (2004, p.450). Neste sentido é relevante ponderar-se que os valores axiológicos concernentes à obtenção de um direito exigível e, por via de consequência, o direito à tutela efetiva reclamam do sistema (e não somente dos operadores) uma resposta à altura desta necessidade e, diria, desta diretriz jurídica. Naturalmente, esbarra-se, ou melhor, se devem esgueirar ou amoldar às demais garantias igualmente protegidas de modo que não sejam sacrificadas e, se as são, que não seja em detrimento de uma a garantia de maior valor. 

Referências

REFERÊNCIAS

ANDRADE, M. C. A questão do território no Brasil. São Paulo: Hucitec, 1995.

ARAÚJO, Clara. Marxismo, feminismo e o enfoque de gênero. In: Crítica Marxista, nº 11. São Paulo: Boitempo, 1999.

AREND, H. Sobre a violência. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2009.

BOURGUIGNON, J. A. A particularidade histórica da pesquisa no Serviço Social. In: Anais do 2º Seminário Nacional Estado e Políticas Sociais no Brasil. Cascavel, 2005.

BRASIL, Código de Ética do Assistente Social. Brasília: Conselho Federal de Serviço Social, 1993.

________, Política Nacional de Juventude. Brasília: Secretaria Nacional da Juventude, 2006.

CARDOSO, R. C. SAMPAIO, H. Bibliografia sobre juventude. São Paulo: Edusp, 1985.

CARVALHO, M. C. B; NETTO, J. P. Cotidiano: conhecimento e Crítica. São Paulo: Cortez, 2000.

CFESS manifesta. A juventude brasileira precisa de política pública! Janeiro de 2013.

CHAUÍ, Marilena. Brasil: O mito fundador. In: Revista da associação psicanalítica de porto alegre, N° 19 – Outubro - Porto Alegre: APPOA, 2000.

_______, M. Participando do debate sobre mulher e violência. In: perspectivas antropológicas da mulher. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

DOMINGUES, Petrônio. Movimento Negro Brasileiro: alguns apontamentos históricos. Tempo, Rio de Janeiro, nº. 23, 2007.

FRAGA, P. D. Violência: forma de dilaceramento do ser social. In: Serviço Social e Sociedade. Nº 70. São Paulo: Cortez, 2000.

FREITAS, D. A guerra dos escravos. Graal, Rio de Janeiro, 1982.

GROPPO, L. A. Juventude: ensaios sobre sociologia e história das juventudes modernas. Rio de Janeiro: Difel, 2000.

GUIMARÃES, A. S. Classes, raças e democracia. São Paulo: Editora 34, 1999.

HELLER, A. O cotidiano e a história. São Paulo: Paz e terra, 2008.

HENRIQUES, R. Desigualdade racial no Brasil: evolução das condições de vida na década de 90. In: Texto para discussão nº 807. IPEA. Rio de Janeiro, julho de 2011.

___________, A. S. Preconceito racial: modos, temas e tempos. São Paulo: Cortez, 2006.

IAMAMOTO, Marilda V. O Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 2. Ed. São Paulo: Cortez, 1999.

__________, M. V. Questão social, família e juventude: desafios do trabalho do Assistente Social na área sociojurídica. In: Política social, família e juventude: Uma questão de direitos. São Paulo: Cortez, 2004.

LEFEBVRE H. Lógica formal/lógica dialética. 5 ed. Rio de Janeiro: civilização Brasileira, 1991.

LEITE, I. B. Os quilombos no Brasil: questões conceituais e normativas. Revista Etnográfica, Vol. IV (2), 2000.

MANNHEIM, Karl. O problema da juventude na sociedade moderna. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982.

MARICATO, E. As ideias fora do lugar e o lugar fora das ideias: planejamento urbano no Brasil. In: A cidade do pensamento único: Desmanchando consensos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

MÉSZÁROS, István. Para além do capital. São Paulo, Editora Boitempo, 2002.

MINAYO, M. C. Social Violence from a Public Health Perspective. Caderno. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 10 (supplement 1): 07-18, 1994.

MORAIS, R. O que é violência urbana. São Paulo: brasiliense, 1981.

MOURA, C. Os Quilombos e a rebelião negra. Brasiliense, São Paulo, 1987

NETTO, José Paulo. Introdução ao estudo do método de Marx. São Paulo: Expressão Popular, 2011.

ODALIA, Nilo. O que é violência. São Paulo: Brasiliense, 2004.

RAFFESTIN, C. Por uma Geografia do Poder. São Paulo: Ática, 1993.

SANTOS, M. A Natureza do Espaço. São Paulo: Hucitec, 1996.

________, M. Sociedade e espaço: a formação social como teoria e como método. In: Espaço e Sociedade: Ensaios. Petrópolis: Vozes, 1982.

SANTOS, R. J. Antropologia para quem não vai ser antropólogo. Porto Alegre: Tomo editorial, 2005.

SILVA, R. CARNEIRO, S. Violência Racial: Uma leitura sobre os dados de homicídios no Brasil. São Paulo: Geledés Instituto da Mulher Negra; Global Rights Patners for Justice, 2009.

SILVA, J. C. G. Rap na cidade de São Paulo: música, etnicidade e experiência urbana. São Paulo: O autor, 1998.

Downloads

Publicado

2015-05-07

Edição

Seção

Artigos