A consciência e a vida no limite da tragédia

Considerações nietzschianas acerca da disposição afirmativa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/sofia.v14i1.47982

Palavras-chave:

Nietzsche, consciência, tragédia, vida, afirmação

Resumo

O pensamento nietzschiano se propõe, em suas máximas e sentenças, desconstruir tudo o que o monumento da razão tem edificado sob a forma de consciência. Por essa razão, diante das situações dramáticas que se apresentam, não é o caso de se conscientizar sobre elas, mas antes as experienciar. A consciência, ao interpor o exercício da razão, falsifica o fato, ao passo que a vivência acolhe o que neste se apresenta de mais amplo e genuíno. Somente para além do exercício da consciência que o filósofo alemão compreende ser possível o encarar da tragédia, pois não se pensa nela, mas simplesmente a vive. E é pela vivência e não ciência do elemento trágico que Nietzsche aponta um caminho possível de afirmação da vida. Este projeto pode ser realizado na medida em que a vida é resgatada em sua dimensão integral e primigênia, sem o influxo de elementos que a ela não pertencem. E um caminho imediato à vida é o da experiência dela, para além de tudo o que se fizer em termos de operação científica. O presente trabalho se propõe mostrar que quando se estabelece qualquer esforço no intuito de se fazer ciência sobre algo se está operando um corte no exercício de se direcionar para a vida, pois se antepõe elementos que não permitem com que ela se apresente como é em si mesma, em seu acontecer, para interpor mecanismos que imiscuem a sua realidade própria da vida. O abandono da experiência mais íntima da realidade em detrimento de seu aspecto formal periférico faz com que toda a vida e ao que dela faz parte se relegue ao plano do irrisório. Toda a teorização sobre a vida nada mais é senão a sua falsificação, que é a própria consciência, como lentes que se apresentam diante da realidade.

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Biografia do Autor

Adilson Felicio Feiler, FAJE - Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia

Possui doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, PUCRS, tendo sido pesquisador visitante na Georgetown University. Realizou seu Pós-Doutorado na Pontifícia Universidade católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). É Professor no PPG de Filosofia da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), e coordenador do PPG em Filosofia da mesma instituição, atua nos seguintes temas: Nietzsche, Hegel, moral, consciência e Cristianismo. É membro da Conselho Acadêmico da Revista Studia Gilsoniana, do Comitê Científico da Manifesto Originalia: Revista de Ensaios Teológicos, Membro da equipe editorial da Revista Philosophy Study, membro do Conselho Editorial da Revista Intuitio e da London Journals Press, do GT Nietzsche da ANPOF, vice-coordenador do GT Hegel da ANPOF, da Red Iberoamericana de Estudios Nietzscheanos e do Comitê de Ética da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Vem realizando um trabalho de pesquisa em torno ao pensamento de Nietzsche há quinze anos, mediante participação em congressos nacionais e internacionais, bem como em publicações nacionais e internacionais em livros e periódicos. Se encontra em projeto a constituição de um Grupo Internacional de Estudos sobre o Pensamento de Nietzsche envolvendo o Brasil, Argentina e Chile, a fim de ir se consolidando a Rede Internacional de Pesquisa, intitulada “Nietzsche nos Pampas”.

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Publicado

31-03-2025

Como Citar

Feiler, A. F. (2025). A consciência e a vida no limite da tragédia: Considerações nietzschianas acerca da disposição afirmativa. Sofia , 14(1), e14147982. https://doi.org/10.47456/sofia.v14i1.47982