Um contraponto à tirania da felicidade sob a ótica de González Serrano
DOI:
https://doi.org/10.47456/sofia.v15i2.54330Parole chiave:
Pensamento positivo, Positividade tóxica, Subjetividade contemporâneaAbstract
Esta resenha dedica-se ao ensaio Una filosofía de la resistencia: pensar y actuar: contra la manipulación emocional (ediciones Destino, 2024), do filósofo espanhol Carlos Javier González Serrano. O objetivo é examinar criticamente a tese fulcral da obra, que diagnostica e propõe formas de oposição aos mecanismos de controle na sociedade contemporânea. A análise percorre os conceitos-chave desenvolvidos pelo autor, como sujeito sedado, a dominação que instrumentaliza os afetos para fins de controle social e consumo. Destaca-se a crítica de González Serrano ao pensamento positivo, ao coaching e à indústria da autoajuda, interpretando-os como ferramentas que despolitizam o mal-estar estrutural e privatizam o estresse. No entanto, a recensão aponta duas vulnerabilidades teóricas na obra: um pessimismo estrutural que poderia subestimar a agência subjetivia e a ausência de um diálogo mais explícito com teóricos como Byung-Chul Han e com a noção de positividade tóxica, o que poderia fortalecer sua argumentação. Apesar das ressalvas, conclui-se que a contribuição fundamental do livro se localiza em sua potencialidade para recontextualizar os sofrimentos psíquicos contemporâneos, deslocando-os de uma esfera individualizante para o campo da crítica política. A obra, afinal, é valorizada como um instrumental teórico relevante para decodificar as narrativas hegemônicas de bem-estar, revelando-as como tecnologias de governo que objetivam a manutenção de um sistema produtivo específico.
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Riferimenti bibliografici
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