Modelagem espacial e epidemiológica dos óbitos por transtornos falciformes no estado da Bahia entre 2000 e 2013

  • Carlos Dornels Freire de Souza

Resumo

Introdução: A doença falciforme é caracterizada por defeitos na estrutura da hemoglobina. Trata-se de uma condição genética autossômica recessiva, sendo uma das doenças hereditárias mais comuns do mundo. Objetivo: Descrever os aspectos epidemiológicos, temporais e espaciais dos óbitos por transtornos falciformes no estado da Bahia, entre 2000 e 2013. Métodos: Os dados foram coletados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e conduzida análise descritiva, temporal e espacial. Para a análise descritiva foram consideradas as variáveis sexo, raça/cor, faixa etária e escolaridade, enquanto para a temporal se utilizou regressão segmentada (joinpoint). Já para a espacial foi empregada estatística de Moran Global e Local. Resultados: Foram registrados 724 óbitos por transtornos falciformes no período analisado, o que representou 14,15% do total de óbitos por anemias ocorridos no Estado. O percentual de indivíduos do sexo masculino foi de 49,59% (n=359). A raça/cor parda foi predominante (46,13%/n=334), seguida da raça/cor preta. Observou-se um alto percentual dos campos raça/cor e escolaridade não preenchidos, correspondendo a 19,48% e 47,10%, respectivamente. O joinpoint mostrou tendência significativa de crescimento do coeficiente de mortalidade entre 2003 e 2011 (APC 11,4%; p<0,05). Na análise espacial, a distribuição da mortalidade foi estatisticamente aleatória. Conclusão: O perfil epidemiológico não revela predileção por sexo, mas sim por raça/cor. Há falhas no processo de registro dos dados na declaração de óbito, o que compromete a análise epidemiológica. A distribuição espacial é aleatória, embora observemos uma maior ocorrência nos municípios maiores e com maior oferta de serviços de saúde.

Publicado
2019-09-30
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Artigo original