Venezuelanos em Trânsito, Imagens em Conflito:
Migração, Resistência e Estéticas Digitais na Era da (I)mobilidade
DOI:
https://doi.org/10.47456/dim.v54i2.48764Palavras-chave:
migração, imagens digitais, resistênciaResumo
Este artigo analisa criticamente o papel das imagens produzidas por migrantes venezuelanos residentes no Brasil como dispositivos de resistência estética e política, em especial no contexto das redes sociais digitais, como TikTok e Instagram. A pesquisa parte da hipótese de que tais imagens não constituem meramente representações ou registros visuais da experiência migratória, mas sim práticas enunciativas performativas que reconfiguram regimes de visibilidade marcados por exclusão, racialização e silenciamento. A partir da observação sistemática de postagens públicas realizadas entre fevereiro e maio de 2025, foram identificadas práticas visuais que desestabilizam narrativas hegemônicas sobre a figura do migrante. A análise fundamenta-se em três eixos interdependentes: a) a dimensão performativa das imagens; b) as estratégias de visibilidade e resistência; e c) as interpelações políticas inscritas nos conteúdos compartilhados. Com base em autores como Azoulay (2011), Mirzoeff (2017), Gago (2018), Rose (2016) e Coutinho & Hida (2024), argumenta-se que essas imagens constituem formas de insurgência visual cotidiana, através das quais os sujeitos migrantes afirmam sua agência e reivindicam novos modos de pertencimento e reconhecimento no espaço público digital.
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