A Educação Socioemocional nas Aulas de Filosofia
Contribuições desde a Fenomenologia da Afetividade
DOI:
https://doi.org/10.47456/sofia.v15i1.49736Palavras-chave:
competências socioemocionais, fenomenologia, afetividadeResumo
As competências socioemocionais são alvo de perspectivas antagônicas no meio educacional. Diversos educadores(as) as consideram essenciais para a formação humana pautada pelos princípios da Educação Integral (Casassus, 2009), dado que estas referem-se aos saberes atitudinais, relacionados à dimensão moral e afetiva dos sujeitos (Coll, 2000). Perspectivas críticas, contudo, apontam que, longe de visar promover uma educação integral, as competências socioemocionais se consolidam como mais um dispositivo que visa garantir resiliência e proatividade às mentes e corpos esgarçados pela precarização crescente e generalizada das atuais relações de trabalho, marcadas pelo ethos neoliberal (Dardot, Laval, 2016). Neste artigo, objetivo empregar referenciais da fenomenologia da afetividade do filósofo e psiquiatra Thomas Fuchs (2012, 2018), para reafirmar a importância da Educação Socioemocional frente a tais críticas, bem como destacar que a abordagem fenomenológica, ao fornecer uma compreensão abrangente dos afetos, destacando sua importância tanto para a formação moral quanto cognitiva dos sujeitos, pode proporcionar um significativo ganho conceitual à área da Educação Socioemocional, capaz de informar práticas pedagógicas voltadas à integralidade. Concluo este artigo com uma proposta pedagógica para o desenvolvimento da educação socioemocional nas aulas de Filosofia, com base na metodologia para o favorecimento da conscientização afetiva, desenvolvida por Francisco Varela (1996, 1999).
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