Da lâmpada à alavanca

por um inferencialismo e expressivismo periféricos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/sofia.v15i1.51834

Palavras-chave:

expressivismo, inferencialismo, neopragmatismo, Wittgenstein, Brandom

Resumo

Este artigo propõe uma reformulação crítica do inferencialismo semântico e do expressivismo lógico a partir de uma perspectiva periférica. Argumenta-se que, para grupos submetidos a regimes de dominação racial, colonial e de gênero, a linguagem não deve ser concebida nem como espelho da realidade nem apenas como lâmpada que explicita normas já operantes nos jogos de linguagem. Tais regimes de dominação são analisados como formas de violência gramatical, entendidas como imposição de redes de inferências materiais que não só fixam o significado dos conceitos operantes em nossos jogos de linguagem, mas predam a gramática de uma forma de vida autóctone, porque redistribuem autoridade, valor, reconhecimento e exclusão. Conceitos como “raça” e “gênero” funcionam como eixos conceituais com grande densidade inferencial que naturalizam hierarquias sob aparência de neutralidade normativa. Distingue-se, então, o bootstrapping inferencial das alavancas gramaticais. O primeiro designa o processo de explicitação de regras enquanto se participa das práticas que lhes conferem significado. As alavancas gramaticais nomeiam intervenções situadas que identificam fulcros conceituais nessas redes inferenciais, e além de explicitá-los, mobilizam ação coletiva para deslocá-los. Discute-se ainda o aquilombamento normativo como forma histórica de consolidação coletiva de gramáticas alternativas. Exemplos como o Quilombo dos Palmares, a atuação de Malcolm X e dos Panteras Negras são analisados como disputas por soberania gramatical e autodeterminação normativa de grupos minorizados em jogos de linguagem supremacistas, e não como demandas de mera assimilação, integração ou ampliação de direitos civis.

Biografia do Autor

  • Marcos Silva, UFPE - Universidade Federal de Pernambuco
    Marcos Silva é atualmente Professor Adjunto da Universidade Federal de Pernambuco, Brasil. É também Pesquisador Produtividade nível 1D do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/Brasil). Desde 2023, atua como presidente da Sociedade Brasileira de Filosofia Analítica. Silva realizou pesquisas e ocupou posições acadêmicas no Rio de Janeiro, Fortaleza, Maceió, Leipzig, Pittsburgh e Berlim, além de ter apresentado seus trabalhos em diversos países do Sul e do Norte Global. Seus interesses de pesquisa incluem filosofia da lógica, filosofia da linguagem, filosofia das ciências cognitivas e a filosofia de Wittgenstein. É editor dos volumes Colours in the Development of Wittgenstein’s Philosophy (Palgrave, 2017) e How Colours Matter to Philosophy (Springer, 2017). Em 2018, recebeu o prêmio Fulbright Junior Faculty Member Award. Atualmente, é bolsista da Alexander von Humboldt Stiftung no Center of Human Abilities, em Berlim.

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Publicado

27-03-2026

Como Citar

Silva, M. (2026). Da lâmpada à alavanca: por um inferencialismo e expressivismo periféricos. Sofia, 15(1), e15151834. https://doi.org/10.47456/sofia.v15i1.51834