Entre neutralidade e perfeição
o liberalismo de Rawls sob escrutínio
DOI:
https://doi.org/10.47456/sofia.v14i2.50942Parole chiave:
liberalismo, perfeccionismo, neutralidade, razão pública, Denis CoitinhoAbstract
O artigo examina criticamente a tensão entre a neutralidade política e o perfeccionismo moral no interior do liberalismo contemporâneo, com especial atenção à proposta de Denis Coitinho (2024) de conciliar ambas as tradições por meio do que ele denomina liberalismo-perfeccionista moderado. Partindo de uma breve reconstrução do debate entre Rawls (1993), Raz (1986) e outros intérpretes do liberalismo, o trabalho busca mostrar que a coerência interna da teoria liberal depende de uma fundamentação ética mínima. Argumenta-se que a tentativa de Rawls (1971; 1993) de sustentar a legitimidade política sem recorrer a concepções substantivas de bem conduz a um enfraquecimento de sua própria normatividade, pois a neutralidade, quando compreendida como abstinência epistêmica em relação à verdade moral, torna-se autocontraditória. Ao distinguir entre consenso político e verdade moral, o texto sustenta que o liberalismo só preserva sua inteligibilidade quando reconhece que valores como liberdade, igualdade e respeito possuem força normativa independente do mero acordo procedimental. A partir desse diagnóstico, o artigo afirma que o projeto hibridista de Coitinho oferece uma alternativa promissora ao afirmar a complementaridade entre ética e política e conceber a razão pública não apenas como um espaço de deliberação imparcial, mas como uma prática moral de reconhecimento mútuo.
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