Kant e a gênese de um relativismo pósmoderno
DOI:
https://doi.org/10.47456/sofia.v14i2.48162Palavras-chave:
coisa em si, realismo, pós-moderno, relativismoResumo
Este trabalho explora a relação entre o pensamento de Immanuel Kant e o relativismo contemporâneo, argumentando que as premissas filosóficas de Kant, embora ele próprio fosse um defensor da universalidade da razão, abriram caminho para interpretações que alimentaram correntes relativistas e pós-modernas. O artigo sugere que o relativismo presente em autores como Foucault, Latour, Kuhn e Rorty pode ser compreendido, em alguma medida, como uma consequência inesperada de um ajuste no sistema kantiano, ainda que eles não se autodenominem kantianos, pois reproduzem e, em muitos casos, intensificam problemáticas já presentes na Crítica da Razão Pura. Isso se deve a irresolução do estatuto ontológico e da relação causal do Ding an sich; b) a possibilidade de interpretar as formas a priori não como transcendentais e universais, mas como estruturas contingentes (históricas, linguísticas, culturais). Ao enfatizar que o conhecimento é sempre mediado por estruturas simbólicas, históricas e culturais, tais correntes acabam por relativizar a verdade e por questionar a possibilidade de um acesso direto à realidade. Assim, este trabalho pretende contribuir para o debate acerca dos limites e possibilidades do conhecimento, evidenciando a necessidade de uma investigação que dialogue tanto com as raízes kantianas quanto com as críticas e reinterpretações pós-modernas do saber.
Referências
BONNACCINI, Juan Rodolfo. Kant e o problema da coisa em si no idealismo alemão: sua atualidade e relevância para a compreensão do problema da filosofia. Rio de Janeiro: Relume Dumará; Natal, RN: UFRN, PPGFIL, 2003.
BOAS, Frans. A mente do ser humano primitivo. Petrópolis, Vozes. 2010.
CASSIRER, Ernst. Filosofia das formas simbólicas. Primeiro tomo: a linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
DURKHEIM, E. As Formas Elementares da Vida Religiosa. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
REINCHENBACH, H. The Theory of Relativity and a Priori Knowledge. Berkeley, CA: University of California Press. 1965.
FEYERABEND, Paul. Contra o método: esboço de uma teoria anárquica da teoria do conhecimento. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1977.
FOUCAULT, Michel. Dits et écrits. IV. Paris: Gallimard. 1994.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2018.
FOUCAULT, As palavras e as coisas. Martins Fontes. 2016.
FOUCAULT, M. Introduction à l’Anthropologie de Kant [1960-61], in Kant, Anthropologie de um point de vue pragmatique, précédé de Michel Foucault, Introduction à l’Anthropologie. Paris: Vrin, 2008. Trad. de Márcio Alves da Fonseca e Salma Tannus Muchail, Gênese e estrutura da Antropologia de Kant. São Paulo: Loyola, 2011.
GHATE, Onkar. Postmodernism’s Kantian roots. In: LOCKE, Edwin A. (Ed.). Postmodernism and management. Research in the sociology of organizations, v. 21. Leeds: Emerald Group Publishing Limited, 2003, p. 227-245. Disponível em: https://doi.org/10.1016/S0733-558X(03)21008-9
GUYER, Paul. Kant and the claims of knowledge. Cambridge university press. NY. 1987.
HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Fenomenologia do espírito. Trad. Paulo Mendes. 9. ed. Petrópolis, RJ: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2014.
HEIDEGGER, Martin. Kant and the problem of metaphysics. Trans. Richard Taft. Indiana: Indiana University Press, 1997.
HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Trad. Marcia Sá Cavalcante. 10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes; Bragança Paulista, SP: Editora Universitária São Francisco, 2015.
HUME, David. Investigações sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. Trad. José Oscar de Almeida Marques. São Paulo: Editora Unesp, 2004.
KANT, Immanuel. Prolegômenos a toda metafísica futura: que queira apresentar-se como ciência. Lisboa: Edições 70, 1988.
KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. São Paulo: Vozes, 2015.
KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. 11. ed. São Paulo: Editora Perspectiva, 2011.
LAKATOS, Imre. Falsification and the methodology of scientific research programmes. In: Philosophical Papers, vol. I. Cambridge: Cambridge University Press, 1989, p. 15-101.
LANGTON, Rae. Kantian Humility: Our Ignorance of Things in Themselves. Oxford university press., 1998.
LATOUR, Bruno. Pasteur: guerre et paix des microbes. Paris: La Découverte, 2001.
LATOUR, Bruno. Why has critique run out of steam? From matters of fact to matters of concern. In: Critical Inquiry, v. 30, n. 2, 2004, p. 225-248.
LUKÁCS, György. História e consciência de classe. São Paulo: Boitempo, 2018.
LUKÁCS, György. A destruição da razão. São Paulo: Instituto Lukács, 2020.
PIPPIN, Robert B. Hegel’s idealism: the satisfactions of self-consciousness. New York: Cambridge University Press, 1989.
RODRIGUES, Mavi; NETTO, José Paulo. Michel Foucault sem espelhos: um pensador proto pós-moderno. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006. Tese (Doutorado em Serviço Social) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Serviço Social, Programa de Pós-Graduação em Serviço Social, 2006. Disponível em: http://objdig.ufrj.br/30/teses/MaviRodrigues.pdf
RORTY, Richard. A filosofia e o espelho da natureza. Rio de Janeiro: Relumé Dumará, 1994.
SEARLE, John. The storm over the university. The New York Review of Books, 1990. Disponível em: https://www.ditext.com/searle/searle1.html Acesso em: 03 jan. 2025.
SEARLE, John. Seeing Things as They Are: a theory of perception. New York: Oxford University Press, 2015.
SOKAL, Alan; BRICMONT, Jean. Imposturas intelectuais. Rio de Janeiro: Record, 2010.
THORPE, Lewis. The Kant dictionary. Londres: Bloomsbury Publishing Plc, 2015.
ŽIŽEK, Slavoj. A visão em paralaxe. São Paulo: Boitempo, 2008.
ŽIŽEK, Slavoj. Menos que nada: Hegel e a sombra do materialismo dialético. São Paulo: Boitempo, 2013.
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Domingos Braga Da Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Dada a política de acesso público da revista, o uso dos textos publicados é gratuito, com a obrigação de reconhecer a autoria original e a primeira publicação nesta revista. Os autores das contribuições publicadas são inteiramente e exclusivamente responsáveis por seus conteúdos.
I Os autores autorizam a publicação do artigo nesta revista.
II Os autores garantem que a contribuição é original e assumem total responsabilidade pelo seu conteúdo em caso de impugnação por terceiros.
III Os autores garantem que a contribuição não está sob avaliação em outra revista.
IV Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, sendo o trabalho licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-BY.
V Os autores são autorizados e incentivados a divulgar e distribuir seu trabalho on-line após a publicação na revista.
VI Os autores dos trabalhos aprovados autorizam a revista a distribuir seu conteúdo, após a publicação, para reprodução em índices de conteúdo, bibliotecas virtuais e similares.
VII Os editores reservam o direito de fazer ajustes no texto e adequar o artigo às normas editoriais da revista.















