A lógica neoliberal e o fascismo como dispositivo
DOI:
https://doi.org/10.47456/sofia.v15i1.48297Palavras-chave:
lógica neoliberal, capital, fascismo, dispositivoResumo
Neste artigo, pretende-se analisar como o fascismo apresenta-se como um dispositivo intrínseco das democracias contemporâneas no contexto neoliberal. Para isso, identifica-se que o Estado se transformou em um instrumento necessário do capital na manutenção da ordem e do controle sociais e na salvaguarda da dinâmica de acúmulo de capital. Sob tal prospectiva, compreende-se que a crise é própria da lógica do capital, constituindo o mecanismo de funcionamento do capitalismo e assumindo um caráter funcional e útil para a geração de lucros. Dessa forma, para sanar as “crises”, o capitalismo utiliza-se das políticas de austeridade como subterfúgio para ampliar a circulação de capital, revestindo, assim, o caminho para o fascismo, na medida em que busca proteger a lógica do capital das transformações sociais que possam surgir. O que significa que, na conjuntura neoliberal, o fascismo não se apresenta propriamente como um Estado, mas como um dispositivo intrínseco das democracias contemporâneas, como uma lógica de poder que se reverbera para além das sociedades fascistas.
Referências
CASARA, Rubens Roberto Rabello. Estado Pós-Democrático: neo-obscurantismo e gestão dos indesejáveis. 5ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019.
CASARA, Rubens Roberto Rabello. Sociedade sem lei: pós-democracia, personalidade autoritária, idiotização e barbárie. 1ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.
CHOMSKY, Noam. O lucro ou as pessoas? Neoliberalismo e a ordem global. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 2002.
DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. 1ª ed. São Paulo: Boitempo, 2016.
DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. Neoliberalismo e subjetivação capitalista. Revista O Olho da História. Salvador, n. 22, p. 1-15, 2016a.
FONTES, Virgínia. Capitalismo, crises e conjuntura. Serviço Social & Sociedade. São Paulo, n. 130, p. 409-425, set./dez. 2017.
KARMY, Rodrigo. Fascismo vive em nós através do dispositivo do neoliberalismo. [Entrevista concedida a] Márcia Jungues. Tradução de Moisés Sbardelotto. Revista do Instituto Humanitas Unisinos. São Leopoldo, n. 490, ano XVI, p. 20-32, ago. 2016.
MARX, Karl. O Capital. Livro I. 3ª ed. São Paulo: Boitempo, 2023.
MATTEI, Clara. Austeridade econômica pavimenta o caminho para o fascismo, diz pesquisadora. [Entrevista concedida a] José Eduardo Bernardes. Brasil de Fato, 04 julho 2023. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2023/07/04/austeridade-economica-pavimenta-o-caminho-para-o-fascismo-diz-pesquisadora. Acesso em: 17 abr. 2024.
MONGIOVI, Gary. Austeridade é um projeto destinado a fortalecer o capital em detrimento dos trabalhadores. Tradução de Marcella Sayuri. Jacobin Brasil, 22 janeiro 2024. Disponível em: https://jacobin.com.br/2024/01/austeridade-e-um-projeto-destinado-a-fortalecer-o-capital-em-detrimento-dos-trabalhadores/. Acesso em: 13 out. 2024.
MUNIZ, Hélder Pordeus; TEIXEIRA, Emerson Moraes; SILVA, Cláudia Osório da. Desafios colocados pelas estratégias neoliberais de precarização do trabalho para a pesquisa-intervenção voltada para a transformação das situações de trabalho. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho. São Paulo, v. 23, n. 1, p. 13-27, 2020.
RAMOS, Ana Carolina Bartolamei; ALVARENGA, Rodrigo. O Estado do capital: neoliberalismo e a introjeção do fascismo nas democracias contemporâneas. In: Congresso Internacional de Ciências Criminais, 11., 2020, Porto Alegre. Anais [...] Porto Alegre: EdiPUCRS, 2020, p. 1-11. Disponível em: https://editora.pucrs.br/edipucrs/acessolivre/anais/congresso-internacional-de-ciencias-criminais/assets/edicoes/2020/arquivos/65.pdf. Acesso em: 14 out. 2024.
WOOD. Ellen Meiksins. O império do capital. 1ª ed. São Paulo: Boitempo, 2014.
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Elainy Costa da Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Dada a política de acesso público da revista, o uso dos textos publicados é gratuito, com a obrigação de reconhecer a autoria original e a primeira publicação nesta revista. Os autores das contribuições publicadas são inteiramente e exclusivamente responsáveis por seus conteúdos.
I Os autores autorizam a publicação do artigo nesta revista.
II Os autores garantem que a contribuição é original e assumem total responsabilidade pelo seu conteúdo em caso de impugnação por terceiros.
III Os autores garantem que a contribuição não está sob avaliação em outra revista.
IV Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, sendo o trabalho licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-BY.
V Os autores são autorizados e incentivados a divulgar e distribuir seu trabalho on-line após a publicação na revista.
VI Os autores dos trabalhos aprovados autorizam a revista a distribuir seu conteúdo, após a publicação, para reprodução em índices de conteúdo, bibliotecas virtuais e similares.
VII Os editores reservam o direito de fazer ajustes no texto e adequar o artigo às normas editoriais da revista.















