História e felicidade em Memórias do subsolo e O mal-estar na civilização
DOI:
https://doi.org/10.47456/sofia.v15i1.49492Palavras-chave:
história, felicidade, razão, progresso, Dostoiévski, FreudResumo
Esse trabalho tem em vista sinalizar uma zona de vizinhança entre as imagens produzidas pela novela Memórias do subsolo (1864), do literato russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881), e o arcabouço conceitual contido no ensaio O mal-estar na civilização (1929), do pensador austríaco Sigmund Freud (1856-1939). Para tanto, em um primeiro momento, aborda-se o monólogo da personagem «o homem do subsolo», expondo a crítica ao otimismo idealista de seu tempo histórico encarnado na figura do teórico radical russo Nikolai Tchernichévski (1828-1889). Em seguida, tematiza-se a visão freudiana da relação entre indivíduo e sociedade, dada sob o signo de uma tensão fundamental e, portanto, insuperável, entre a dimensão instintiva e as exigências de manutenção da experiência social. A partir disso, conclui-se a afinidade eletiva entre as imagens de um e os conceitos do outro, sinalizada na recusa da ideia do progresso como destino evidente da razão, que deslegitima a afirmação de um vínculo necessário entre história e felicidade.
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