Vida como obra de arte:

a contemporaneidade da estetização da existência em dois atos

Autores

Palavras-chave:

Estetização da existência; arte e vida; arte contemporânea; poéticas artísticas

Resumo

Partindo de uma revisão de caráter historiográfico, esse texto pretende traçar um panorama geral dos deslocamentos poéticos no campo artístico, da antiguidade ao contemporâneo, a fim de interrogar não apenas os prelúdios da formalização da dimensão estética da vida como obra de arte, bem como averiguar o modo como tal concepção estaria sendo efetivada no campo de experimentação artística na atualidade. Deter-nos-emos à discussão de abordagens teóricas que buscam compreender as origens dos atravessamentos entre arte, vida e obra na arte contemporânea, especialmente a partir das análises realizadas pelo crítico francês Nicolas Bourriaud em “Formas de vida: a arte moderna e a invenção de si” (2011).

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Biografia do Autor

Lindomberto Ferreira Alves, PPGA-UFES

Artista-educador, pesquisador, crítico e curador independente. Mestrando em Teoria e História da Arte pelo PPGA-UFES (2018/20). Licenciando em Artes Visuais pela UNAR/SP (2020) e Bacharel em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA (2013). É membro do grupo de pesquisa "Curadoria e Arte Contemporânea" e integra a equipe da "Plataforma de Curadoria" (DAV-UFES), plataforma virtual focada nos processos de criação em curadoria. Possui textos publicados em livros, catálogos e revistas especializados nos campos da história, teoria e crítica de arte. Suas investigações privilegiam a análise dos processos de criação na arte contemporânea, de modo especial, no estudo de produções cujos processos criativos colocam arte, vida e obra no mesmo plano de contágio.

 

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Publicado

2020-08-15

Como Citar

Alves, L. F. (2020). Vida como obra de arte: : a contemporaneidade da estetização da existência em dois atos. Revista Do Colóquio, (18), 10–29. Recuperado de https://periodicos.ufes.br/colartes/article/view/31968