Memórias Migrantes de Venezuelanos/as no TikTok

afetos, performatividade e disputas de pertencimento

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/dim.v54i2.48637

Palavras-chave:

Memórias migrantes, TikTok, perfomatividade, fronteiras simbólicas, venezuelanos/as

Resumo

Este artigo investiga como memórias migrantes de venezuelanos/as são produzidas, performatizadas e disputadas no TikTok, entendendo a memória como prática social situada, atravessada por afetos, desigualdades e fronteiras simbólicas. A pesquisa adota abordagem netnográfica, com análise de dez vídeos selecionados por palavras-chave, incluindo seus comentários e modos de circulação. Identificaram-se três formas narrativas: relatos diretos, performances estéticas e reaproveitamento de entrevistas. Os resultados indicam que fome, saudade, trabalho precarizado, racismo, xenofobia e pertencimentos transnacionais estruturam essas narrativas como performances de dor, resistência e afirmação de dignidade. Conclui-se que o TikTok opera como espaço digital de disputa de sentidos sobre a migração venezuelana, convertendo registros cotidianos em expressões afetivas e políticas de memória.

Biografia do Autor

  • Gabriel Antonio Butzen, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

    Doutorando em História pelo Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Mestre em História pelo PPGHIS da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), onde também concluiu a graduação em História (Licenciatura) e a especialização em Ensino de História da América Latina. É graduado ainda em Filosofia (modalidade a distância) pelo Centro Universitário Internacional UNINTER. Criador do perfil @gabrielantoniobutzen no TikTok, voltado à história pública e à divulgação científica, com mais de 33 mil seguidores. Publica conteúdos e reflexões sobre história, ensino de história e a ditadura militar brasileira, dialogando com linguagens digitais e audiências ampliadas. Pelo trabalho no TikTok, recebeu o selo do Fórum Saberes Históricos, sendo signatário da carta de compromisso ético. Recebeu menção honrosa da Sociedade Brasileira de Teoria e História da Historiografia (SBTHH) na premiação de melhor dissertação em História da Historiografia Geral (2023). Também recebeu menção honrosa por projeto de Iniciação Científica desenvolvido na UNILA, em 2018. Seus principais interesses de pesquisa incluem teoria e história da historiografia, história pública e história digital. Também é associado a Associação Nacional de História (ANPUH) e a Sociedade Brasileira de Teoria e História da Historiografia (SBTHH).

  • Tereza M. Spyer Dulci, Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)/ Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

    Bacharel e licenciada em História pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado e doutorado em História Social pela mesma instituição. Possui especializações em: (1) Epistemologias do Sul, (2) Estudos Afro-Latino-Americanos e Caribenhos, e (3) Memórias Coletivas, Direitos Humanos e Resistência, todas pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO). Pós-doutorado realizado no Centro de Investigaciones sobre América Latina y el Caribe (CIALC), da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). Entre 2011 e 2023, foi professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Segue vinculada a esta universidade, atuando na Especialização em Ensino de História e América Latina (EHAL), no Programa de Pós-Graduação em Integração Contemporânea da América Latina (PPGICAL) e no Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS). Atualmente é professora Associada do Departamento de História (DEHIS) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Tem experiência na área de História da América, com ênfase em História da América Latina Contemporânea. Editora-chefe da Revista Espirales (UNILA - Qualis A1) e da Revista Laje (UFBA). Integra a Associação Nacional de História (ANPUH) e a Associação Nacional de Pesquisadores e Professores de História das Américas (ANPHLAC), tendo sido presidente desta última entre 2020 e 2022.

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Publicado

02-03-2026

Edição

Seção

Dossiê v.53, nº2 - Migração, (I)mobilidade, Transnacionalismos: A virada digital