EFEITOS DE SENTIDOS NO DISCURSO MIDIÁTICO: APOSENTADORIA E TRABALHO

Autores

  • Juliana Lima Araújo Universidade Federal de Alagoas

Resumo

 

Este artigo analisa os efeitos de sentidos de aposentaria produzidos no discurso midiático materializado numa matéria da Revista Veja publica em 2009, intitulada “Trabalhar não é saudável”. Para isso, tomamos como base teórico-metodológica a Análise do Discurso pecheutiana (AD), estabelecendo, também, uma interlocução com o Materialismo Histórico. A AD, enquanto teoria materialista dos processos discursivos, concebe o discurso como uma prática sócio-histórica, produzido na intrínseca relação entre língua, história e ideologia. Nessa perspectiva, não há sentido único e literal, pois as materialidades discursivas são produzidas por sujeitos inscritos em uma formação social.  Em nosso gesto analítico, constatamos que o discurso midiático reproduz em seu funcionamento sentidos que remetem às transformações no mundo do trabalho e as consequentes reformas jurídicas relativas à aposentadoria como parte integrante da previdência social brasileira. Assim, no discurso materializado na Revista são produzidas, através da ideologia, evidências de sentidos que interpelam os sujeitos continuarem trabalhando, apresentando a exploração como algo natural que traz benefícios para a saúde do trabalhador. Nesse processo de naturalização de sentidos, outros sentidos possíveis, mas indesejáveis, tendem a ser silenciados e apagados para que, em última instância, a lógica de reprodução do capital seja mantida.  

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Biografia do Autor

Juliana Lima Araújo, Universidade Federal de Alagoas

Doutoranda em Letras e Linguística no Porgrama de Pós-gradução em Letras e Linguística da Universidade Federal de Alagoas.

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Publicado

2018-07-15

Como Citar

LIMA ARAÚJO, J. EFEITOS DE SENTIDOS NO DISCURSO MIDIÁTICO: APOSENTADORIA E TRABALHO. PERcursos Linguísticos, [S. l.], v. 8, n. 18, p. 228–243, 2018. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/percursos/article/view/19181. Acesso em: 6 dez. 2021.