O continuum colonial do racismo ambiental no Brasil
racializando a saúde e o saneamento ambiental
DOI:
https://doi.org/10.47456/simbitica.v13i1.51836Palabras clave:
racismo ambiental, saneamiento, salud ambiental, salud de la población afrodescendiente, higienismo, genocidio negroResumen
El déficit de saneamiento (y su impacto en la salud) es una realidad de una parte significativa de la población brasileña. Sin embargo, esa desigualdad no se distribuye de forma ecuánime en la sociedad: hay un perfil racial de aquellos que son más vulnerables y victimados por las condiciones ambientales insalubres. A pesar de constituir un problema social, esta temática todavía sigue siendo desatendida como problema sociológico. De este modo, a partir de la investigación bibliográfica a nivel exploratorio y del análisis de datos actuales de acceso al saneamiento y morbimortalidad por enfermedades relacionadas con el saneamiento ambiental inadecuado según color/raza, se pretendió racializar la discusión sobre saneamiento y salud (ambiental) a partir de una perspectiva político-histórica. Se verificó que desde el Brasil Colonial hay un continuum de vivencias en materia de saneamiento de la población afrodescendiente marcado por el no acceso a servicios de saneamiento y su consecuente impacto en su salud ambiental. Como consecuencia, cada hora y media una persona afrodescendiente muere por la falta de saneamiento adecuado en Brasil, una realidad que resulta de la relación entre Estado, racismo institucional y racismo ambiental, y contribuye con el genocidio de la población afrodescendiente brasileña. Por lo tanto, urge análisis y acciones que coloquen este tema en las agendas políticas y de investigación.
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