Equilíbrio reflexivo prudente e a crise climática

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/sofia.v14i2.50951

Palavras-chave:

equilíbrio reflexivo prudente, crise climática, virtudes, deveres

Resumo

O objetivo do artigo é investigar em que medida o uso do método do equilíbrio reflexivo (ER) pode nos apontar para nossa responsabilidade tanto pessoal como institucional frente a crise climática. Para tal, inicio caracterizando o método do ER e apontando seus limites, sobretudo, o de conservadorismo e de relativismo/subjetivismo. Após, proponho uma alteração no método, de forma a se poder contar com a expertise do agente prudente para a seleção inicial das crenças, de forma a superar as críticas apontadas. O próximo passo, então, será aplicar o método do equilíbrio reflexivo prudente (ERP) no contexto da crise climática a fim de identificar os nossos deveres frente ao problema e a compreensão do melhor curso de ação público. Por fim, faço algumas considerações conclusivas sobre o problema investigado, sugerindo alguns deveres pessoais frente a crise climática, bem com sugerindo alguns cursos de ação que devem ser realizados pelas principais instituições públicas para o enfrentamento do problema ambiental.

Biografia do Autor

  • Denis Coitinho, UNISINOS – Universidade do Vale do Rio dos Sinos

    Pós-doutorado na Universidade de Harvard, na London School of Economics and Political Science (LSE) e no CEBRAP/SP - Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. É professor permanente do PPG em Filosofia da UNISINOS e pesquisador PQ do CNPq. Pesquisa na área de Ética e Filosofia Política, investigando os seguintes temas: teorias da justiça e das virtudes, responsabilidade moral e punição, direitos humanos e  democracia.

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Publicado

27-01-2026

Edição

Seção

Virtudes e perfeccionismo: Aristóteles, Nietzsche, Rawls e além

Como Citar

Coitinho, D. . (2026). Equilíbrio reflexivo prudente e a crise climática. Sofia , 14(2), e14250951. https://doi.org/10.47456/sofia.v14i2.50951