Questão ambiental e precarização do trabalho a partir da realidade do lixão de Iguatu - Ceará

Autores

  • Maria Williana Alves Lucas Autor
  • Evelyne Medeiros Pereira Autor
  • Luana Paula Moreira Santos Autor

DOI:

https://doi.org/10.22422/2238-1856.2017v17n34p195-224

Resumo

O artigo busca desvelar a questão ambiental como refração da questão social e suas interlocuções com os processos de precarização das condições de vida e trabalho dos (as) catadores (as) de materiais recicláveis do lixão de Iguatu/CE, de onde extraem as fontes de sobrevivência e tecem suas teias de sociabilidade. Compreender as contradições inerentes ao cotidiano adverso e desafiador desses sujeitos, associada à dinâmica atual do padrão de (re)produção capitalista e seus reflexos no mundo do trabalho, é nosso fio condutor. Assim travamos uma interlocução com os (as) trabalhadores (as) do referido lixão, buscando identificar as particularidades que atravessam tendências cada vez mais vigorosas na realidade contemporânea: de um lado, a precarização do trabalho e o adensamento da questão ambiental como expressão da questão social; de outro, a perpetuação de segmentos invisíveis, desprotegidos pelas políticas públicas e negligenciados em suas necessidades sociais básicas. Para isto utilizamos como percurso metodológico a abordagem qualitativa articulada ao método histórico crítico dialético e a técnicas etnográficas, por meio das seguintes técnicas de coleta de dados: observação de campo, diários de campo, aplicação de questionários e entrevistas semiestruturadas junto a 10 (dez) trabalhadores, cujos dados obtidos foram articulados à pesquisa bibliográfica presente durante todo o processo de elaboração teórica. Os resultados e discussões realizadas atestam um cotidiano de trabalho adverso e desafiador, que submetidos à lógica do capital vivenciam condições de precariedade e exploração. Verifica-se o agravamento destas condições, em decorrência da inexistência de uma política pública efetiva de gestão de resíduos sólidos em âmbito municipal, conforme preconiza a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o qual submete esta parcela de trabalhadores à intensificação da exploração, consubstanciada pelo estado e pelo capital.

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Biografia do Autor

  • Maria Williana Alves Lucas
    Assistente Social no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município de jucás / CE. Graduada em Serviço Social, pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), campus Iguatu. Integrante do Núcleo de Educação, Políticas Sociais e Serviço Social (NEPSSS / IFCE). 
  • Evelyne Medeiros Pereira
    Doutoranda em Serviço Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestre em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Graduada em Serviço Social na Universidade Estadual do Ceará (UECE). Professora do quadro efetivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE campus Iguatu). Membro do Núcleo de Educação, Políticas Sociais e Serviço Social (NEPESSS / IFCE).
  • Luana Paula Moreira Santos
    Assistente Social, mestre em sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Professora assistente da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

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Publicado

2017-12-29

Como Citar

Questão ambiental e precarização do trabalho a partir da realidade do lixão de Iguatu - Ceará. (2017). Temporalis, 17(34), 195-224. https://doi.org/10.22422/2238-1856.2017v17n34p195-224