O NEGOCIADO SOBRE O LEGISLADO E A AUTONOMIA DA CLASSE TRABALHADORA
DOI:
https://doi.org/10.22422/temporalis.2023v23n45p185-200Resumo
Objetiva-se neste artigo, perquirir as mediações que concorrem para a precarização das condições de vida da classe trabalhadora, inscritas nas alterações da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), no que toca à supremacia do negociado sobre o legislado, conforme cláusula fixada pela contrarreforma trabalhista. Para tanto, realizou-se uma pesquisa documental utilizando-se como fonte a Lei n. 13.467/2017, que instituiu a superioridade do negociado sobre o legislado. O caminho teórico-metodológico e a análise dos dados sustentaram-se a partir do referencial teórico marxiano necessário à apreensão das mediações postas no objeto em estudo, fornecendo elementos para contextualizar a apropriação da categoria trabalho pela lógica do capital, especialmente com relação à implantação da referida contrarreforma. Este artigo estrutura-se a partir de três eixos, a saber: a análise da autonomia da classe trabalhadora no modo de produção capitalista; os aspectos contraditórios do contrato de trabalho e seus reflexos na autonomia da classe trabalhadora e o significado da cláusula de prevalência do negociado sobre o legislado ante as mediações que embasam a autonomia formal conferida à classe trabalhadora. Os resultados desta pesquisa evidenciaram vários elementos constitutivos desse campo de mediações, com destaque ao fato de que essa autonomia conferida apenas formalmente nega os conflitos de classe e as contradições próprias do sistema de produção capitalista, reduzindo a relação entre os agentes da produção à lei, como se esta bastasse em si mesma para conferir equilíbrio entre capital e trabalho.
Downloads
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Temporalis

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
