Digitalização do cuidado ou Colonialismo Digital? Questões para o Serviço Social
DOI:
https://doi.org/10.22422/temporalis.2024v24n48p45-63Palavras-chave:
Serviço Social, Colonialismo digital, Viés algorítmico, Soberania digital, Digitalização da saúdeResumo
Neste artigo analisamos o processo de digitalização da saúde no Brasil e suas implicações para o Serviço Social, dentro dos quadros do colonialismo digital. O modelo de negócios plataformizado, que busca extrair dados dos usuários, alimentando uma verdadeira acumulação primitiva de dados, hoje também domina e monopoliza sistemas vitais, como o DataSUS, que roda nos servidores da Amazon Web Service. Partindo de uma compreensão fanoniana, de que capitalismo, colonialismo e racismo são elementos indissociáveis, adentramos nas questões ligadas ao viés algorítmico, abordando o racismo e as ideologias intrínsecas ao mundo dominado pelas big techs. Não só dados, metadados, mas também biodados de fundamental importância, são processados em datacenters estadunidenses, ferindo nossa soberania digital. Desde o contexto pandêmico, ocorreu uma aceleração do processo de digitalização, ocultando as contradições entre hiperconexão e os desconectados, que não conseguem acessar seus direitos básicos, por não terem letramento digital ou não possuírem dispositivos e conexões que os permitam acessar as políticas sociais.
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