Articulando classe, sexo/gênero e raça na leitura da formação social brasileira
DOI:
https://doi.org/10.22422/temporalis.2025v25n49p222-236Palabras clave:
Divisão sexual e racial do trabalho, reprodução social, formação social brasileira, massa marginalResumen
Este artigo versa sobre a interação entre as matrizes de dominação, exploração e opressão nas sociedades estratificadas, com enfoque nas particularidades do escravismo colonial e capitalismo brasileiro, articulando classe, sexo/gênero e raça para o debate sobre a formação social brasileira. O texto, escrito através de uma revisão narrativa de literatura, perfaz-se por meio de uma leitura materialista histórica da realidade e tem como objetivo geral apresentar contribuições para uma análise da relação entre a divisão sexual e a divisão racial do trabalho, e a formação social do Brasil. Para tanto, demarca-se a compulsoriedade do trabalho reprodutivo/sexual das mulheres, com atenção ao aprofundamento de opressões e explorações direcionadas às mulheres negras, como motor que sustenta o modo de produção capitalista. Ademais, o artigo reflete, a partir de breves apontamentos, sobre a reprodução da classe trabalhadora na contemporaneidade, isto é, no capitalismo dependente, e sobre a composição de uma massa brasileira subalternizada a partir das relações sociais de classe, raça e sexo/gênero, situada no subemprego e desemprego.
Descargas
Referencias
ASSIS, Odete. Introdução: alguns debates sobre interseccionalidade e marxismo. In: PARKS, Letícia; ASSIS, Odete; CACAU, Carolina (org.). Mulheres negras e marxismo. São Paulo: Associação Operário Olavo Hansen, 2021. p. 257–269.
COLLINS, Patricia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. Tradução de Rane Souza. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2020.
CRENSHAW, Kimberlé. Mapeando as margens: interseccionalidade, políticas de identidade e violência contra mulheres não brancas. Tradução de Carol Correia. Geledes, 23 dez. 2017. Disponível em: https://www.geledes.org.br/mapeando-as-margensinterseccionalidade-politicas-de-identidade-e-violencia-contra-mulheres-naobrancas-de-kimberle-crenshaw%E2%80%8A-%E2%80%8Aparte-1-4/. Acesso em: 3 mar. 2025.
ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado: em conexão com as pesquisas de Lewis H. Morgan. Trad. Nélio Schneider. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2019.
ENGELS, Friedrich. Prefácio à primeira edição: 1884. In: ENGELS, F. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. Marxists, 2013. Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/marx/1884/origem/prefacio01.htm. Acesso em: 3 mar. 2025.
FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. Tradução de coletivo Sycorax. São Paulo: Elefante, 2017.
FERREIRA, Verônica Maria. Apropriação do tempo de trabalho das mulheres nas políticas de saúde e reprodução social: uma análise de suas tendências. Orientadora: Ana Elizabete Fiúza Simões da Mota. 2017. 202 f. Tese (Doutorado em Serviço Social) – Programa de Pós-Graduação em Serviço Social, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2017.
GONZALEZ, Lélia. Cultura, etnicidade e trabalho: Efeitos linguísticos e políticos da exploração da mulher. In: RIOS, Flávia; LIMA, Márcia (org.). Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020a. Parte 1, cap. 1.
GONZALEZ, Lélia. A mulher negra na sociedade brasileira: Uma abordagem político-econômica. In: RIOS, Flávia; LIMA, Márcia (org.). Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020b. Parte 1, cap. 3.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: RIOS, Flávia; LIMA, Márcia (org.). Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020b. Parte 1, cap. 5.
HIRATA, Helena; KERGOAT, Danièle. Novas configurações da divisão sexual do trabalho. Trad. Fátima Murad. Cadernos de Pesquisa, v. 37, n. 132, p. 595–609, set./dez. 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cp/a/cCztcWVvvtWGDvFqRmdsBWQ/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 3 mar. 2025.
IANNI, Octavio. Escravidão e Racismo. São Paulo, SP: Hucitec, 1978.
KERGOAT, Danièle. Ouvriers = ouvrières? Propositions pour une articulation théorique de deux variables: sexe et classe sociale. Critiques de l’Économie Politique, n. 5, nova série, p. 65–97, out./dez. 1978.
LESSA, Sérgio. Abaixo à família monogâmica!. São Paulo: Instituto Lukács, 2012.
MARQUES, Morena Gomes. Capitalismo dependente e cultura autocrática: contribuições para entender o Brasil contemporâneo. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 21, n. 1, p. 137–146, jan./abr. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rk/a/45Hqxk8QY5qgvWjtNgDkH8F/?format=pdf&lang=pt. Acesso em 3 mar. 2025.
MARINI, Ruy Mauro. Dialética da dependência: uma antologia da obra de Ruy Mauro Marini. Organização e apresentação de Emir Sader. Petrópolis: Vozes; Buenos Aires: CLACSO, 2000.
MARX, Karl. O Capital: crítica da Economia Política. Livro 1 [recurso eletrônico]. São Paulo: Boitempo, 2013. Disponível em: file:///D:/Downloads/MARX-%20Karl.%20O%20capital%20vol%201-%20boitempo.pdf. Acesso em: 3 fev. 2024.
MATHIEU, Nicole-Claude. Sexo e Gênero. In: HIRATA, Helena et al. (org.). Dicionário Crítico do Feminismo. São Paulo: Editora UNESP, 2009. p. 222–231.
MOSCHKOVICH, Marília. A grande tarefa do marxismo é o sexo: Ou “Entre Stálin, Trótski, a Coreia do Norte e a lésbica bolsonarista: um divã para a esquerda revolucionária”. Blog da Boitempo, 10 jan. 2020. Disponível em: https://blogdaboitempo.com.br/2020/01/10/a-grande-tarefa-do-marxismo-e-o-sexo/. Acesso em: 3 mar. 2025.
MOURA, Clóvis. O racismo como arma ideológica de dominação. Geledes, 19 jan. 2014. Disponível em: https://www.geledes.org.br/o-racismo-como-arma-ideologica-de-dominacao/?gclid=Cj0KCQjw_O2lBhCFARIsAB0E8B_FbeKu2V2ZLan5p0kzSOwX64v3GY4FxEy2c-ZYiMXgVDmbqCSrs0caAskUEALw_wcB. Acesso em: 3 mar. 2025.
RICH, Adrienne. Heterossexualidade compulsória e existência lésbica. Trad. Carlos Guilherme do Valle. Bagoas: Estudos gays: gêneros e sexualidades, v. 4, n. 5, nov. 2012. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/bagoas/article/view/2309/1742. Acesso em: 3 mar. 2025.
SAFFIOTI, Heleieth. Quem tem medo dos esquemas patriarcais de pensamento? Dossiê Crítica Marxista, v. 1, n. 11, p. 71–75, 2000. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4300345/mod_resource/content/1/SAFFIOTI%2C%20Heleieth.%20Quem%20tem%20medo%20dos%20sistemas%20patriarcais%20de%20pensamento.pdf. Acesso em: 2 fev. 2024.
SAFFIOTI, Heleieth. Rearticulando gênero e classe social. In: COSTA, Albertina de Oliveira; BRUSCHINI, Cristina. Uma questão de gênero. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos; São Paulo: Fundação Carlos Chagas, 1992.
SAFFIOTI, Heleieth, I. B. A Mulher na sociedade de classes: mito e realidade [recurso eletrônico]. Prefácio de Antônio Cândido de Mello e Souza. Petrópolis, RJ: Vozes, 1976. Disponível em: https://cursosextensao.usp.br/pluginfile.php/865709/mod_resource/content/1/Saffioti%20%281978%29%20A_Mulher_na_Soc_Classes.pdf. Acesso em: 3 mar. 2024.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2025 Temporalis

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Copyright (c) 2026 Temporalis

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
