Diante do limiar: para uma poética da fantasmagoria

  • Samuel José de Jesus Faculdade de Artes Visuais
Palavras-chave: Fotografia, cinema, limiar, ilegível, fantasmagoria, fisiognomonia

Resumo

Esse artigo proponha-se analisar a questão da fantasmagoria, em relação ás fotográficas e obras realizadas com filmes de arquivos. Obras estas que constituem hoje uma iconografia que resulta da pratica de apropriação. De um lado, atualizaremos uma revisão crítica e teórica da apropriação partindo do conceito de Chockerlebnis – literalmente conhecido como “a experiência do choque”, enunciada por Walter Benjamin. Do outro lado, esse estudo abordará alguns casos nos quais a figura fantasmagoria ecoa com o conceito de chockabwer – a proteção “paradoxal” da sensibilidade do sujeito pelo próprio choque.  Ou seja, quando esse registro particular encontra-se no limiar da sua ilegibilidade, reatualiza o evento histórico, e no mesmo tempo o revela mais perturbador.

Biografia do Autor

Samuel José de Jesus, Faculdade de Artes Visuais
Samuel de Jesus possui mestrado em Artes plásticas e Ciências das artes pela Universidade de Paris I, Panthéon - Sorbonne (2006). Doutor em cotutela em Études cinématografiques et audiovisuelles – Universidade de Paris III/ ECO - Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010), sob a direção de Philippe Dubois e de Consuelo Lins, ele desenvolveu um pós-doutorado em artes visuais, sob a direção de Sônia Salzstein, em relação ás práticas extremas do corpo, na ECA – Universidade de São Paulo [2013]. Ele é atualmente professor de Historia da arte e da imagem na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiânia. Fotografo, crítico e curador, ele organizou a exposição “Modernisme et photographie au Brésil. 1945-1955”, na École Supérieure des Beaux - Arts de Tours, França [2013], ele é autor do livro Saudade. Da poesia medieval à fotografia contemporânea. Percurso de um sentimento ambíguo [a parecer em 2014].

Referências

A associação de ideias do espectador é interrompida imediatamente, com a mudança da imagem. Nisso se baseia o efeito de choque provocado pelo cinema, que, como qualquer outro choque, precisa ser interceptado por uma atenção aguda (BENJAMIN, 1994: 192).

“Experimentar os choques era experimentar o instante. [...] O choque empurrava o sujeito moderno para o reconhecimento tangível da presença do presente. Na presença imediata do instante, o que podemos fazer – a única coisa que podemos fazer – é senti – ló (CHARNEY, 2004: 323-324).”

“Assim, a essência da imagem é de ordem mostrativa ou mostrante. Cada imagem é uma monstrance [...]. A imagem é da ordem do monstro: monstrum, é um signo prodigioso (moneo, monestrum) que adverte contra uma ameaça divina [...] É por isso que há uma monstruosidade da imagem: ela é fora do comum da presença porque ela o é em ostentação (NANCY, 2005: 46-47).”

Publicado
2014-12-22
Como Citar
de Jesus, S. J. (2014). Diante do limiar: para uma poética da fantasmagoria. Revista Do Colóquio, 4(7), 163-183. Recuperado de http://periodicos.ufes.br/colartes/article/view/8475
Seção
Artigos