Diante do limiar: para uma poética da fantasmagoria

Samuel José de Jesus

Resumo


Esse artigo proponha-se analisar a questão da fantasmagoria, em relação ás fotográficas e obras realizadas com filmes de arquivos. Obras estas que constituem hoje uma iconografia que resulta da pratica de apropriação. De um lado, atualizaremos uma revisão crítica e teórica da apropriação partindo do conceito de Chockerlebnis – literalmente conhecido como “a experiência do choque”, enunciada por Walter Benjamin. Do outro lado, esse estudo abordará alguns casos nos quais a figura fantasmagoria ecoa com o conceito de chockabwer – a proteção “paradoxal” da sensibilidade do sujeito pelo próprio choque.  Ou seja, quando esse registro particular encontra-se no limiar da sua ilegibilidade, reatualiza o evento histórico, e no mesmo tempo o revela mais perturbador.


Palavras-chave


Fotografia, cinema, limiar, ilegível, fantasmagoria, fisiognomonia

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Referências


A associação de ideias do espectador é interrompida imediatamente, com a mudança da imagem. Nisso se baseia o efeito de choque provocado pelo cinema, que, como qualquer outro choque, precisa ser interceptado por uma atenção aguda (BENJAMIN, 1994: 192).

“Experimentar os choques era experimentar o instante. [...] O choque empurrava o sujeito moderno para o reconhecimento tangível da presença do presente. Na presença imediata do instante, o que podemos fazer – a única coisa que podemos fazer – é senti – ló (CHARNEY, 2004: 323-324).”

“Assim, a essência da imagem é de ordem mostrativa ou mostrante. Cada imagem é uma monstrance [...]. A imagem é da ordem do monstro: monstrum, é um signo prodigioso (moneo, monestrum) que adverte contra uma ameaça divina [...] É por isso que há uma monstruosidade da imagem: ela é fora do comum da presença porque ela o é em ostentação (NANCY, 2005: 46-47).”


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