A EXPRESSÃO E A LINGUAGEM CARNALIZADA DE MAURA LOPES CANÇADO EM HOSPÍCIO É DEUS

Alex Fabiano Correia Jardim, Márcia Moreira Custódio

Resumo


RESUMO: Este artigo discorre sobre a escrita expressiva de Maura Lopes Cançado como desdobramento do corpo e o corpo como desdobramento carnalizado do mundo em sua obra metaficcional Hospício é deus – diário I. A abordagem se fundamenta na corrente de pensamento da fenomenologia de Merleau-Ponty que vê a linguagem como gesto expressivo, numa relação ambígua entre fala e pensamento, sentido e palavra, significante e significado. A escrita autobiográfica de uma louca produtiva, cuja presença da autora no texto representa o próprio corpo do texto, revela-se a projeção de um ser para fora de si em estado caótico. Desse modo, Maura apresentará o estilo de uma linguagem corpórea fragmentada, de um valor expressivo singular da loucura. O tempo, no diário de Maura, nasce de sua relação com as coisas, sua consciência se desdobra e constitui seu próprio tempo. A recordação traz o passado para o presente e transforma o fundo em figura, trazendo a vivência das emoções que se acham em estado latente. Ao se instalar no mundo do leitor, pela linguagem falada, leva-o a tocar e a escutar os sons e os ruídos no tempo presente e a participar do mundo através da linguagem falante.

PALAVRAS-CHAVE: Escrita autobiográfica brasileira. Maura Lopes Cançado – Hospício é deus – Diário I. Literatura – Linguagem corpórea. Loucura – Tema literário.


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