Rei Congo foi pra guerra, ai meu Deus como será? Explorando experiências de negociação entre pessoas escravizadas e senhores na Insurreição do Queimado e na origem do ciclo folclórico das bandas de congo no Espírito Santo

Autores

  • Michel Dal Col Costa Cefope/Sedu

DOI:

https://doi.org/10.46812/e-2020310205

Palavras-chave:

Escravidão no Espírito Santo, Insurreição de Queimado, Bandas de Congo

Resumo

Este artigo busca sistematizar algumas impressões obtidas em pesquisas sobre a escravidão e a cultura popular na região central do Espírito Santo.  Serão revisitados dois fatos marcantes da história local com um esforço de identificar um nexo histórico e narrativo entre eles. O primeiro fato é a Insurreição do Queimado, uma revolta escrava ocorrida em uma das freguesias da Comarca capital da província, Vitória, em 1849. E o segundo fato é um conjunto de festas e folguedos populares com origem na população negra, surgidas no período da escravidão e permanentes até os dias atuais em uma área cultural que abrange grande parte do Espírito Santo. Para tanto, o trabalho apresentará, primeiramente, a revolta e desvendará um pouco das características históricas da região na qual ela ocorreu, depois serão apresentados aspectos da origem e da descrição do ciclo folclórico das bandas de congo.

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Publicado

21-07-2020

Como Citar

DAL COL COSTA, M. Rei Congo foi pra guerra, ai meu Deus como será? Explorando experiências de negociação entre pessoas escravizadas e senhores na Insurreição do Queimado e na origem do ciclo folclórico das bandas de congo no Espírito Santo. Revista Ágora, [S. l.], v. 31, n. 2, p. e–2020310205, 2020. DOI: 10.46812/e-2020310205. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/agora/article/view/30951. Acesso em: 28 nov. 2021.

Edição

Seção

Pós-abolição: sociabilidades, relações de trabalho e estratégias de mobilidade s