Lote Bravo

memória, luto e vulnerabilidade no trabalho de Teresa Margolles

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/rf.rf.2133.50358

Palavras-chave:

precariedade; feminicídio; memória; vulnerabilidade; luto

Resumo

O artigo analisa a instalação Lote Bravo (2005), da artista mexicana Teresa Margolles, realizado a partir dos feminicídios em Ciudad Juárez. O objetivo é compreender como a artista transforma a materialidade da morte em um dispositivo sensível-político de memória. A obra desloca corpos historicamente invisibilizados para o espaço do comum, desafiando a naturalização da violência de gênero. A abordagem fundamenta-se em referenciais de Judith Butler, María Lugones, Jacques Rancière e relaciona conceitos como precariedade, colonialidade de gênero e partilha do sensível. Lote Bravo reconfigura a visibilidade das vidas precárias, convertendo o luto em gesto político. Assim, conclui-se que a obra de Margolles propõe uma estética da memória que desafia a normalização da violência contra mulheres no norte do México. 

Biografia do Autor

  • Sheila Cabo Geraldo, PPGArtes-UERJ

    Pesquisadora em História e Teoria da Arte, professora aposentada de Arte Moderna e Contemporânea no Departamento de Teoria e História da Arte do Instituto de Artes da UERJ, atuando como pesquisadora no Programa de Pós-graduação em Artes PPGArtes, da UERJ. Foi bolsista do Programa PROCIÊNCIA da Universidade do Estado do Rio de Janeiro entre 2006 e 2014, onde desenvolveu o projeto Arte e História na Contemporaneidade: implicações políticas . Atualmente realiza a pesquisa Políticas da memória: estudos sobre o colonialismo e o primitivismo na arte. Bolsista Produtividade 2 (CNPq), é líder do Grupo de Pesquisa Escrita: Arte, História e Crítica (CNPq). Possui graduação em Desenho e Plástica (Licenciatura) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1977) e mestrado em História Social da Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1994), onde defendeu a dissertação Goeldi: modernidade extraviada. Fez doutoramento em História pela Universidade Federal Fluminense (2001), com a tese Arte e Modernidade Germânica. Publicou Goeldi: modernidade extraviada (1995), Trânsito entre Arte e Política (org) 2012, Narrativas, Ficções e Subjetividades (org.) 2012, Fronteiras: arte, imagem, história (org.) 2014, Escrituras: cadernos de arte, história e crítica (org) 2021 e Frestas: Memória, Traumas e Lacunas, 2023. Atualmente é coordenadora do projeto Capes-PrInt do PPGArtes/UERJ. Concluiu pós-doutorado na Universidade Complutense de Madri (2008), com bolsa Capes, e na Unicamp, no Instituto de Estudos da Linguagem, sob supervisão do Dr. Marcio Seligmann-Silva (2016-17). Foi editora da revista Concinnitas, do Instituto de Artes da Uerj/PPGArtes entre 2003 e 2011 e presidente da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas ANPAP eleita para o biênio 2011- 2012. É membro do Comitê Brasileiro de História da Arte -CBHA.

  • Karenn de Amorim e Souza, PPGArtes-UERJ

    Graduada em Artes Plásticas (UFES, 2016) e mestre em Artes (PPGA-UFES, 2019, bolsa CAPES). Atualmente doutoranda em Artes no PPGArtes-UERJ.

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Publicado

30-12-2025

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Seção Temática

Como Citar

GERALDO, Sheila Cabo; SOUZA, Karenn de Amorim e. Lote Bravo: memória, luto e vulnerabilidade no trabalho de Teresa Margolles. Farol, [S. l.], v. 21, n. 33, p. 73–86, 2025. DOI: 10.47456/rf.rf.2133.50358. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/farol/article/view/50358. Acesso em: 4 fev. 2026.