Lote Bravo
memória, luto e vulnerabilidade no trabalho de Teresa Margolles
DOI:
https://doi.org/10.47456/rf.rf.2133.50358Palavras-chave:
precariedade; feminicídio; memória; vulnerabilidade; lutoResumo
O artigo analisa a instalação Lote Bravo (2005), da artista mexicana Teresa Margolles, realizado a partir dos feminicídios em Ciudad Juárez. O objetivo é compreender como a artista transforma a materialidade da morte em um dispositivo sensível-político de memória. A obra desloca corpos historicamente invisibilizados para o espaço do comum, desafiando a naturalização da violência de gênero. A abordagem fundamenta-se em referenciais de Judith Butler, María Lugones, Jacques Rancière e relaciona conceitos como precariedade, colonialidade de gênero e partilha do sensível. Lote Bravo reconfigura a visibilidade das vidas precárias, convertendo o luto em gesto político. Assim, conclui-se que a obra de Margolles propõe uma estética da memória que desafia a normalização da violência contra mulheres no norte do México.
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