Mierle Ukeles, arte de manutenção e o contra-feitiço da mercadoria

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/rf.rf.2133.50852

Palavras-chave:

Mierle Laderman Ukeles; arte de manutenção; estudos dos descartes; fetiche da mercadoria; teoria da bolsa da ficção

Resumo

Este artigo apresenta os trabalhos I make maintenance art one hour everyday [Eu faço arte de manutenção uma hora todos os dias] e Touch sanitation [Toque sanitário], da artista da performance Mierle Laderman Ukeles. Partindo de contribuições do recente campo interdisciplinar dos discard studies [estudos dos descartes], percebo que os sistemas público-privados de limpeza urbana inventaram para o lixo a ficção de um “fora” impossível, que coreografa o movimento de mercadorias, pessoas, máquinas e bichos pela cidade. Nesse sentido, e pensando com Ursula Le Guin, proponho a arte de manutenção de Ukeles como uma bolsa de histórias de manutenção, um contrafeitiço da mercadoria, abrindo espaços de visibilidade no campo das artes contra o esquecimento do jogar fora.

Biografia do Autor

  • Ricardo Cabral Pereira, UFRJ

    Artista-pesquisador da cena e da performance. Dirige, atua, escreve, produz e leciona há mais de 15 anos. É doutor e mestre em Artes da Cena pela UFRJ e ator formado pela Escola de Teatro Martins Pena. Atualmente, é professor substituto do curso de graduação em Dreção Teatral da UFRJ, onde ministra disciplinas de direção, atuação e dramaturgia. Sua tese de doutorado recebeu o prêmio FRIPERJ/FAPERJ/IPP de Teses sobre o Estado do Rio de Janeiro. Como parte da pesquisa, tem realizado espetáculos, filmes, oficinas e performances que misturam artistas, catadoras de recicláveis, biólogos, educadores, pescadores, escolas, centros culturais, animais vertebrados e invertebrados, pedras, rios, lixos e manguezais. Participou de residências na Norwegian Theatre Academy, na Noruega; na Universidade de Gotemburgo, na Suécia; no Festival TransAmériques, no Canadá; e no Festival de Edimburgo, na Escócia. Em 2025, codirigiu o espetáculo "Le bruit des pierres", do Collectif Maison Courbe, que estreou na França e foi ganhador da plataforma Circusnext. É cofundador e diretor artístico do Teatro Caminho, onde escreve, atua, dirige e produz há 11 anos espetáculos e performances fora das salas de teatro – em casas, bibliotecas, parques públicos, nas ruas da cidade ou no manguezal da Baía de Guanabara. Publicou as dramaturgias "O filho do presidente" (Cândido, 2021) e "Max" (prêmio Sesc de jovens dramaturgos, 2016). 

Referências

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Publicado

30-12-2025

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Artigos

Como Citar

PEREIRA, Ricardo Cabral. Mierle Ukeles, arte de manutenção e o contra-feitiço da mercadoria. Farol, [S. l.], v. 21, n. 33, p. 256–266, 2025. DOI: 10.47456/rf.rf.2133.50852. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/farol/article/view/50852. Acesso em: 4 fev. 2026.