O mito sacrificial no Ensaio sobre a cegueira
DOI:
https://doi.org/10.47456/hjp9fv25Palavras-chave:
Mulher, Sacrifício, Mito, José SaramagoResumo
No Ensaio sobre a cegueira os grandes padecimentos no mundo em que a visão foi desfeita são das mulheres, mesmo que uma delas se encontre poupada (aparentemente) da cegueira. Esta leitura crítico-interpretativa procura dilucidar os motivos disso à luz do que se designa por mito sacrificial. Dois episódios são essenciais ao desenvolvimento das discussões que recorrem à teoria do sacrifício (Mauss & Hubert, 2017; Girard 2002, 2004 e 2011), do símbolo (Chevalier & Gheerbrant, 2022) e do mito (Barthes, 2003): o estupro coletivo das mulheres culminante no fim trágico da cega das insónias; e a autoimolação da mulher do isqueiro na passagem entre o mundo limitado pelos labirintos do manicômio e o mundo ilimitado da cidade desfigurada. Reafirma-se, assim, a singularidade do feminino saramaguiano como não dicotomia do masculino e certa tentativa de corte realista ao evidenciar a condição histórica a que as mulheres foram submetidas em relação aos homens.
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