O expressionismo e a poética do lixo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/rf.v17i24.34356

Palavras-chave:

Expressionismo, Totalitarismo, Lixo, Sagrado

Resumo

A mais violenta das vanguardas artísticas do início do século XX, o expressionismo desafia o discurso totalitário por meio da atualização da ambivalência entre o puro e o impuro característica do regime do sagrado. O presente trabalho busca compreender o sentido do expressionismo na literatura em um diálogo frutífero com as artes visuais. A poética do lixo elaborada em diferentes âmbitos culturais pelos autores tais como Wassily Kandinsky, Czesław Miłosz, Witold Gombrowicz e Nuno Ramos torna-se nesse contexto uma forma de se trazer para o âmbito da arte a preocupação pela vida subjetiva do ser humano ameaçada pelo nivelamento totalitário.

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Biografia do Autor

Olga Kempinska, GCL-UFF

Possui graduação em Filologia Românica - Uniwersytet Jagiellonski (Polônia, 1999), mestrado em Filologia Românica pela mesma universidade, com bolsa em Katholieke Universiteit Leuven (Bélgica), e doutorado em História Social da Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2008). Desde 2010 é professora 40h DE de Teoria da Literatura da Universidade Federal Fluminense (Departamento de Ciências da Linguagem). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria da Literatura, atuando principalmente nos seguintes temas: estética da recepção, relação entre mímesis e emoções, e poéticas do multilinguismo. 

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Publicado

21-09-2021

Como Citar

Kempinska, O. (2021). O expressionismo e a poética do lixo. Revista Farol, 17(24), 183–191. https://doi.org/10.47456/rf.v17i24.34356

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