O comum

“imediato-universal”?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/rf.rf.2133.51430

Palavras-chave:

comum; universal; sensus communis; comunidade; cotidiano

Resumo

Por “comum”, costuma-se remeter a um tipo de arte distanciando os artistas e o público das molduras eruditas que caracterizam a arte em sua história. Retomando aqui alguns parcos pontos de um ensaio publicado pelo autor deste artigo em 2023 e esboçando uma reflexão sobre os paradoxos do conceito, defendo a tese de um “comum” cujo ideal, sociologicamente fundamentado na ideia de proximidade com a vida cotidiana, veicula ainda uma visada universalizante. O conceito bem antigo de sensus communis em Kant permite sustentar essa tese, já que todo “comum”, dentro da lógica estética da experiência, cria quase explicitamente uma relação integrativa com a ideia de comunidade. Seja ele micro, seja ele macro, o “comum” precisa ser pensado além da sociologia para afirmar seu pleno pertencimento ao jogo estético como mecanismo potencialmente unificador das sensibilidades. Uma categoria pretensamente inédita recicla antigas motivações.

Biografia do Autor

  • Stéphane Huchet, UFMG

    Professor Titular da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais. Pesquisador em Produtividade do CNPq. Publicou A Sociedade do artista: ativismo, morte e memória da arte, São Paulo: ed.34, 2023; Experimentum mundi: arte e sortilégios modernos da semelhança, Porto Alegre: Ed. da UFRGS, Col. Interface, 2022; Intenções Espaciais: a plástica exponencial da arte (1900-2000), Belo Horizonte: C/Arte, 2012; Fragmentos de uma teoria da arte (org.), São Paulo: Edusp, 2012; Castaño: situação da pintura, Belo Horizonte: C/Arte, 2006 e outros artigos.

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Publicado

30-12-2025

Edição

Seção

Seção Temática

Como Citar

HUCHET, Stéphane. O comum: “imediato-universal”?. Farol, [S. l.], v. 21, n. 33, p. 28–41, 2025. DOI: 10.47456/rf.rf.2133.51430. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/farol/article/view/51430. Acesso em: 3 fev. 2026.