O comum
“imediato-universal”?
DOI:
https://doi.org/10.47456/rf.rf.2133.51430Palavras-chave:
comum; universal; sensus communis; comunidade; cotidianoResumo
Por “comum”, costuma-se remeter a um tipo de arte distanciando os artistas e o público das molduras eruditas que caracterizam a arte em sua história. Retomando aqui alguns parcos pontos de um ensaio publicado pelo autor deste artigo em 2023 e esboçando uma reflexão sobre os paradoxos do conceito, defendo a tese de um “comum” cujo ideal, sociologicamente fundamentado na ideia de proximidade com a vida cotidiana, veicula ainda uma visada universalizante. O conceito bem antigo de sensus communis em Kant permite sustentar essa tese, já que todo “comum”, dentro da lógica estética da experiência, cria quase explicitamente uma relação integrativa com a ideia de comunidade. Seja ele micro, seja ele macro, o “comum” precisa ser pensado além da sociologia para afirmar seu pleno pertencimento ao jogo estético como mecanismo potencialmente unificador das sensibilidades. Uma categoria pretensamente inédita recicla antigas motivações.
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