“Vidas indígenas importam”: geografias das r-existências dos povos e comunidades tradicionais em tempos de pandemia

Géographies des R-existences des peuples et des communautés traditionnels en temps de pandémie

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/geo.v1i32.35555

Palavras-chave:

indígenas, r-existência, pandemia.

Resumo

O objetivo principal deste texto é fazer uma análise das r-existências dos povos indígenas e comunidades tradicionais em tempos da pandemia de COVID-19. Neste texto utilizamos os conceitos de desigualdades, contenção territorial e corpo-território na análise geográfica da pandemia do ponto de vista indígena/latino-americano. No Brasil, diante da omissão e negligência do governo necropolítico, os indígenas têm realizado esforços para conter a proliferação do vírus. Para os povos tradicionais a tendência é de uma tentativa de retornar ao controle territorial zonal das terras, que tinha sido imposto pela sociedade não indígena, mas que agora, para combater a disseminação de coronavírus, é feita pelos próprios indígenas, no sentido de uma contenção realizada de baixo, pelas minorias étnicas, como forma de proteção e defesa da vida, do corpo-território.

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Biografia do Autor

Marcos Leandro Mondardo, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

Possui graduação em Geografia (Bacharelado e Licenciatura) pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (2006), mestrado em Geografia pela Universidade Federal da Grande Dourados (2009) e doutorado (2012) e pós-doutorado (2020) em Geografia pela Universidade Federal Fluminense. Atualmente é Professor Associado da Faculdade de Ciências Humanas, do Curso de Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal da Grande Dourados. Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geografia Regional, Geografia Política, Geografia Agrária e Geografia da América Latina, atuando e pesquisando principalmente com os seguintes conceitos e/ou temas: território e territorialidade; fronteira e migração; regionalização e globalização; povos indígenas e comunidades tradicionais, com livros, capítulos e artigos publicados nessas áreas. Lidera o Núcleo de Pesquisas sobre Território e Fronteira (NUTEF/UFGD).

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Publicado

2021-07-21

Como Citar

MONDARDO, M. L. “Vidas indígenas importam”: geografias das r-existências dos povos e comunidades tradicionais em tempos de pandemia: Géographies des R-existences des peuples et des communautés traditionnels en temps de pandémie. Geografares, [S. l.], v. 1, n. 32, p. 285–308, 2021. DOI: 10.47456/geo.v1i32.35555. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/geografares/article/view/35555. Acesso em: 25 out. 2021.

Edição

Seção

Dossiê Geografizando a pandemia. Entrelugares do adoecimento existencial