Tempo de deslocamento como barreira à acessibilidade urbana na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), Brasil

Autores

  • Ricardo Barbosa da Silva Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Instituto das Cidades, Campus Zona Leste. http://orcid.org/0000-0002-8757-7747

DOI:

https://doi.org/10.47456/geo.v4i38.43310

Palavras-chave:

acessibilidade urbana, tempo de deslocamento, barreiras

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar o papel do tempo de deslocamento no transporte coletivo para a acessibilidade urbana aos empregos na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), ao longo das últimas três décadas. A metodologia utilizada combina abordagens quantitativa e qualitativa. A abordagem quantitativa baseou-se na utilização dos microdados da pesquisa Origem e Destino (OD) do Metrô de São Paulo, dos anos de 1997, 2007 e 2017, para analisar a acessibilidade cumulativa aos empregos, em função do tempo de deslocamento por modo coletivo na RMSP. Para a abordagem qualitativa, foram realizadas oficinas de mapeamento colaborativo sobre a acessibilidade com participantes da Universidade dos Centros Educacionais Unificados (UniCEU)/Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) dos polos Perus, Capão Redondo e Água Azul – Cidade Tiradentes. Constatou-se, então, que o tempo de deslocamento age como barreira à acessibilidade urbana aos empregos, especialmente, aos moradores pobres das periferias urbanas da RMSP.

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Biografia do Autor

Ricardo Barbosa da Silva, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Instituto das Cidades, Campus Zona Leste.

Doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP) e estágio pós-doutorado na Universitat Autonònoma de Barcelona (UAB). Atualmente é Professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Instituto das Cidades, Campus Zona Leste. Tem livros e artigos publicados sobre mobilidade e transportes.

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Publicado

28-06-2024

Como Citar

SILVA, Ricardo Barbosa da. Tempo de deslocamento como barreira à acessibilidade urbana na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), Brasil. Geografares, Vitória, Brasil, v. 4, n. 38, p. 329–352, 2024. DOI: 10.47456/geo.v4i38.43310. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/geografares/article/view/43310. Acesso em: 12 jul. 2024.