O lugar do Feminismo Negro no Cotidiano de Mulheres de Axé

Autores

  • Luzineide Borges

Palavras-chave:

Feminismo negro, Mulheres do axé, Pedagogia do pertencimento, Redes educativas

Resumo

Se revisitarmos a história do feminismo, principalmente nos primeiros anos de sua constituição, a diferença está principalmente e exclusivamente na questão racial. Enquanto as mulheres brancas na Europa e nos Estados Unidos lutavam por direitos a igualdade de gênero, sobretudo os direitos ao mundo do trabalho e ao voto, as mulheres negras que já trabalhavam, lutavam pelo direito de existir enquanto mulheres, ou seja, lutavam pela sua humanidade e não tiveram as suas pautas quanto ao fato de serem mulheres e negras. Para as mulheres negras de axé, além da questão de gênero, raça e classe, elas também lutam contra o racismo religioso. Nesta pesquisa, ousei ouvir as mulheres negras de axé, mães solos que são responsáveis pela criação e educação dos (as) filhos (as). Para essas mulheres, além de lutar contra o racismo religioso, elas lutam pela sobrevivência da família e encontram no terreiro apoio, afeto e a colaboração dos (as) irmã (os) de axé para a constituição dos laços parentais. Para essa reflexão, apresento as narrativas de quatro mães solos que pertencem ao Ilê Axé Odé Omopondá Aladê Ijexá, localizado no Banco da Vitória em Ilhéus – BA, como intelectuais sociais que produzem saberes, e são autoras da própria existência. A pedagogia do pertencimento presente nos Terreiros de Candomblé tem como aporte epistemológico a epistemologia da ancestralidade e a metodologia da encruzilhada.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BAIRROS, Luiza. Dossiê: Violência contra as mulheres. 2018. Disponível em : http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossies/violencia/violencias/violencia-e-racismo/.

Acesso em dez. de 2019.

BORGES, Luzineide M. #Soudoaxé: redes educativas e o ciberativismo da

Juventude de Terreiro da nação Ijexá. 2019. 241f. Tese (Doutorado em Educação) –

Faculdade de Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,

Disponível em: file:///C:/Users/Luzi/Downloads/095317_2015_1-1380-DO.pdf Acesso em: fevereiro de 2020.

BAIRROS, Luiza. Nossos Feminismos Revisitados. Estudos Feministas, ano 3, 1995. Disponível em: file:///C:/Users/neide/Downloads/16462-50740-1-PB.PDF . Acesso em: jun. de 2017.

BARROS, Zelinda. Feminismo negro na internet: Cyberfeminismo ou ativismo digital? 2009.

Disponível em: https://www.academia.edu/1497162/Feminismo_negro_na_Internet. Acesso em: fev. 2017.

CARNEIRO, Sueli; CURY, Cristiane. O Candomblé. In: NASCIMENTO, E. (Org.). Guerreiras da Natureza mulher negra, religiosidade e ambiente. São Paulo: Selo Negro, 2008. p. 97- 116.

CHIAVENATO, Júlio. J. O negro no Brasil. SP: Cortez, 2012.

D’OXUM, Heide. Sou Abian. Qual a minha função no Axé? Candomblé da Bahia. On-line. Disponível em https://candombledabahia.wordpress.com/2013/05/01/sou-abian-qual-a-minha-funcao-no-axe/, 2013. Acesso em jul. 2018.

¬¬¬¬¬¬¬¬GOMES, Nilma, L. Trajetórias escolares, corpo negro e cabelo crespo: reprodução de estereótipos ou ressignificação cultural? Revista EletrônicaScielo, Set/Out/Nov/Dez 2002.

Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782002000300004&lng=pt&tlng=pt. Acesso em: nov. 2019.

HOOKs, Bell. Alisando o Nosso Cabelo. Revista Gazeta de Cuba – Unión de escritores y Artista de Cuba, janeiro-fevereiro de 2005. Tradução do espanhol: Lia Maria dos Santos. Disponível em: http://coletivomarias.blogspot.com/.../alisando-o-nossocabelo.html. Acesso em: Agost. 2019.

LUZ, Aurélio. M. Agadá: dinâmica da civilização africano-brasileira. Salvador, SECNEB-EDUFBA, 2013.

MACHADO, Vanda. Pele da cor da noite. Editora: EDUFBA Edição: 1ª, 2013.

PÓVOAS, Rui do Carmo. Da porteira para fora: mundo de preto em terra de branco. Ilhéus: Editus, 2007.

______. Itan: Segredo das Folhas. Revista KÀWÉ, Ilhéus, n. 3, 2009, p. 40-42.

______. Ilê Axé Ijexá Ogum Xorokê Lajá: a fala da memória no dia da inauguração. Revista KÀWÉ, Ilhéus, n. 4, p. 1- 68. 2011.

SOMÉ, Sobonfu. O espírito da intimidade: ensinamentos ancestrais africanos sobre maneiras de se relacionar. 2°. ed. São Paulo: Odysseus Editora, 2007.

SODRÉ, Muniz. Pensar Nagô. Rio de Janeiro; Vozes. 2017.

WERNECK, Jurema. Ouçam as vozes das mulheres negras para transformar a sociedade. Entrevista on-line no dia 28 de Jul. 2017. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2017/07/28/oucam-as-vozes-das-mulheres-negras-para-transformar-a-sociedade-alerta-werneck Acesso em: jul. 2018.

WERNECK, Jurema. De Ialodês y Feministas. Reflexiones sobre el acción de las mujeres negras en América Latina y el Caribe. In, CURIEL, Ochy et al, Feminismos disidentes en América Latina y el Caribe. Edicionesfem-e-libros, vol 24, n° 2. 2005. P. 27-40

Downloads

Publicado

2020-07-29 — Atualizado em 2020-07-31

Versões

Edição

Seção

Dossiê