José Saramago e a música: uma leitura de Don Giovanni ou O dissoluto absolvido.

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DOI:

https://doi.org/10.47456/1mhrmm32

Palabras clave:

Diálogo interartes, Ópera, Humanidade, José Saramago

Resumen

Retomando a ópera homônima de Wolfgang Amadeus Mozart, José Saramago dialoga com o mito de Don Juan, dando-lhe uma nova máscara, seguindo o roteiro de releitura de cânones, como já o fizera em O Evangelho segundo Jesus Cristo. Na mesma trajetória de outros escritores portugueses, como Agustina Bessa-Luís, António Patrício, Guerra Junqueiro, Helder Macedo, José Osório de Oliveira e Natália Correia, Saramago traz a figura do mito desvestido de sua roupagem de culpa, agora apresentado com a plenitude da absolvição. Da ópera/libretto e destes ao texto dramático, as personagens vão sendo despidas dos seus papéis pré-concebidos na obra de Mozart. Desde a surpresa do serviçal Leporello ao fraco Don Otávio, desde a dissolução do mito do “Don” à extinção do modelo moral inabalável da estátua do Comendador, a revisitação de Saramago expõe uma farsa de erros. Do dramma giocoso mozartiano, o leitor é transportado ao riso e ao jogo dramáticos da peça saramaguiana, numa trama em que o homem é absolvido do peso mítico e tem a sua identidade mais autêntica restituída: a sua condição de homem.

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Publicado

12-12-2025

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