O cronotopo como construção argumentativa na transposição midiática de O ódio que você semeia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/rctl.v19i43.47931

Palavras-chave:

Transposição midiática, Cronotopo, Argumentação, Racismo

Resumo

O artigo analisa a transposição midiática de O Ódio que Você Semeia (The Hate U Give), do livro para o cinema. Inspirada na morte de Oscar Grant em 2009, a história, tanto no livro, de autoria de Angie Thomas, quanto no filme dirigido por George Tillman Jr., acompanha Starr Carter, uma jovem negra que transita entre dois espaços-tempos contrastantes: o bairro periférico de Garden Heights e a escola de elite Williamson. O estudo busca compreender de que forma as articulações entre tempo e espaço na adaptação cinematográfica de O Ódio que Você Semeia operam como estratégias narrativas e discursivas, contribuindo para a construção de sentidos e o aprofundamento da crítica social presente na obra. Ao examinar os cronotopos predominantes, a análise propõe evidenciar seu papel na estruturação da argumentação e na mediação das tensões sociais que atravessam a narrativa. O artigo, fundamentado na intermidialidade, transposição midiática e cronotopo bakhtiniano, demonstra como essas configurações espaço-temporais sustentam sentidos éticos e políticos, revelando desigualdades históricas e os efeitos do racismo estrutural. Os cronotopos, ao integrar vozes sociais e ideológicas, tornam-se operadores críticos da enunciação, memória e conflito, favorecendo uma leitura engajada do cinema.

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Biografia do Autor

  • Laiza Luz Martins Santana, Universidade Federal de Mato Grosso

    Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal de Mato Grosso (PPGEL/UFMT) na linha de pesquisa literatura comparada sob a orientação da professora Doutora Jozanes de Assunção Nunes, mestra em Estudos de Linguagem pela mesma instituição tendo concluído em 2022. Licenciada em Letras Português/Espanhol e respectivas literaturas pela Universidade de Cuiabá – UNIC. Professora efetiva de Língua Portuguesa na rede pública estadual de educação de Mato Grosso. Integrante do grupo de pesquisa REBAK - Relendo Bakhtin – UFMT e DLBAL – Diálogos Literários: Brasil e África Lusófona.

  • Jozanes de Assunção Nunes, Universidade Federal de Mato Grosso

    Doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com estágio na Universidade Nova de Lisboa, em Portugal. É professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGEL-UFMT), líder do Grupo de Pesquisa Diálogos Literários: Brasil e África Lusófona (DLBAL). Atualmente, realiza estágio de pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP), junto ao Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas e é integrante do Grupo de Trabalho de Estudos Bakhtinianos, vinculado à ANPOLL.

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Publicado

26-12-2025