O racismo e o controle sobre o corpo

um estudo à luz das concepções Foucaultianas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/rctl.v19i42.48269

Palavras-chave:

Corpo, Foucault, Marcador de raça, Falsa representatividade

Resumo

Este artigo examina como, ao longo da história, o racismo tem funcionado como uma tecnologia de poder disciplinador dirigida aos corpos negros, articulando-se às reflexões de Foucault (1987) sobre a produção de corpos dóceis, úteis e manipuláveis. Ao compreender o corpo como superfície de inscrição do poder e como alvo privilegiado de práticas disciplinares, analisamos como o marcador social da raça foi historicamente constituído como dispositivo de dominação que legitima violências físicas, simbólicas e epistêmicas. Partindo desse referencial, examinamos como Beyoncé e Sojourner Truth evidenciam diferentes modos de captura, controle e circulação de imagens sobre mulheres negras. A análise conjunta desses dois casos permite identificar a persistência de imagens de controle que atualizam a lógica colonial e mantêm corpos negros sob vigilância, domesticação e estigmatização. Concluímos que tais mecanismos reforçam a necessidade de compreender a articulação entre poder, raça e corpo como eixo central para analisar as formas contemporâneas de subjugação, bem como para questionar falsas representatividades que, muitas vezes, apenas reconfiguram antigas estruturas de opressão.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Fabíola Duarte, Universidade Federal da Paraíba

    Doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Linguística (Proling), Universidade Federal da Paraíba/UFPB.

  • Henrique Miguel de Lima Silva, Universidade Federal da Paraíba

    Pós-doutorado em Ensino pela UERN. Docente efetivo do DLPL/UFPB. Professor permanente dos Programa de Pós-graduação em Linguística e Ensino-MPLE e Programa de Pós-graduação em Linguística-PROLING, ambos da UFPB.

Referências

ADORNO, T. W.; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento. Tradução: Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

ALVES, D. B. Corpo, disciplina e resistência em Michel Foucault: 91f. 2017. Tese (Curso de pós-graduação em Filosofia). UFPB/ CCHLA. João Pessoa, 2017.

BUENO, W. Imagens de controle: um conceito do pensamento de Patrícia Hill Collins. 1. ed. Porto Alegre, RS: Zouk, 2020.

COLLINS, P. H. Black Feminist Thought: Knowledge, Conciousness and the Politics of Empowerment. 1. ed. New York: Routledge. 2009.

DAVIS, A. Mulheres, raça e classe. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2016.

FARIAS, L. W. B; ZOLIN, L. O. A cruel necessidade de possuir: pós-colonialismo e patriarcalismo num conto de CLARICE LISPECTOR (UEM) - Terra roxa e outras terras – Revista de Estudos Literários, v. 11, p. 1-131, 2007.

FOUCAULT. M. Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão. Tradução Raquel Ramalhete. Petrópolis. 20. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1987.

HALL, S. Cultura e representação. 2. ed. PUC - Rio de Janeiro: Apicuri, 2016.

HOOKS, B. Olhares negros: raça e representação. Tradução: Stephanie Borges. 1. ed. São Paulo: Elefante, 2019.

MENDES, C. L. O corpo em Foucault: superfície de disciplinamento e governo. Universidade de Itcánal - Revista de Ciências Humanas, Florianópolis, EDUFSC, v. 1, n. 39, p. 167-181, 2006.

RODRIGUES, S. M. A relação entre o corpo e o poder em Michel Foucault. Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v. 9, n. 13, p. 109-124, 2003.

RODRIGUES, W. H. S. Desmitificando a sensualidade naturalizada do ébano: Um estudo acerca da objetificação do corpo do homem negro. Curitiba: Cad. Gên. Tecnol., v. 13, n. 41, p. 267-284, 2020.

SILVEIRA, J. I.; NASCIMENTO, S. L.; ZALEMBESSA, S. Colonialidade e decolonialidade na crítica ao racismo e às visíveis: para refletir sobre os desafios da educação em direitos humanos. Educar em Revista, Curitiba, v. 37, p.1-18, 2021.

Downloads

Publicado

11-12-2025