O racismo e o controle sobre o corpo
um estudo à luz das concepções Foucaultianas
DOI:
https://doi.org/10.47456/rctl.v19i42.48269Palavras-chave:
Corpo, Foucault, Marcador de raça, Falsa representatividadeResumo
Este artigo examina como, ao longo da história, o racismo tem funcionado como uma tecnologia de poder disciplinador dirigida aos corpos negros, articulando-se às reflexões de Foucault (1987) sobre a produção de corpos dóceis, úteis e manipuláveis. Ao compreender o corpo como superfície de inscrição do poder e como alvo privilegiado de práticas disciplinares, analisamos como o marcador social da raça foi historicamente constituído como dispositivo de dominação que legitima violências físicas, simbólicas e epistêmicas. Partindo desse referencial, examinamos como Beyoncé e Sojourner Truth evidenciam diferentes modos de captura, controle e circulação de imagens sobre mulheres negras. A análise conjunta desses dois casos permite identificar a persistência de imagens de controle que atualizam a lógica colonial e mantêm corpos negros sob vigilância, domesticação e estigmatização. Concluímos que tais mecanismos reforçam a necessidade de compreender a articulação entre poder, raça e corpo como eixo central para analisar as formas contemporâneas de subjugação, bem como para questionar falsas representatividades que, muitas vezes, apenas reconfiguram antigas estruturas de opressão.
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