Vozes do Apocalipse
dialogismo, polifonia e integração conceptual no universo de Fallout
DOI:
https://doi.org/10.47456/rctl.v19i43.48610Palavras-chave:
Integração Conceptual, Frames, Interdiscursividade, DialogismoResumo
O presente artigo tem como objetivo analisar o universo da franquia Fallout abrangendo seus jogos eletrônicos e o seriado televisivo como espaço de representação da cultura pop pós-apocalíptica contemporânea. A investigação se ancora nas noções de dialogismo, polifonia (Bakhtin, 2008) e interdiscursividade (Fiorin, 2006; Faraco, 2008), articuladas à teoria da Integração Conceptual (Fauconnier; Turner, 2002), no âmbito da Linguística Cognitiva. A metodologia adotada é qualitativa e interpretativista (Denzin; Lincoln, 2005), com foco na análise de excertos narrativos que evidenciem mesclas conceituais, nas quais se entrelaçam frames socioculturais diversos (Fillmore, 1976). Os resultados revelam que Fallout opera como um espaço discursivo híbrido, no qual elementos ideológicos, históricos e culturais são ressignificados em estruturas de sentido novas e complexas, por meio da intersecção de discursos antagônicos e signos reconhecíveis do imaginário ocidental. Excertos como a estética retrofuturista, o culto à Nuka Cola, a atuação do Enclave e a publicidade infantil em cenários de destruição demonstram como a franquia constrói crítica social através de mesclagens cognitivas, ativando no jogador experiências dialógicas e ideológicas. O estudo reforça o potencial da ficção interdiscursiva como ferramenta de reflexão cultural e política.
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