A basileía sagrada de Justiniano (527-565)
conceito, definições, problemas
DOI:
https://doi.org/10.29327/rom.v26i.47842Palavras-chave:
Justiniano, Autocracia, Basiléia sagrada, Modelo político, HistoriografiaResumo
A maior parte da historiografia sobre Bizâncio aponta que o modelo político utilizado no século VI por Justiniano foi uma autocracia. As definições conceituais do termo, contudo, se limitam a textos que, em suma, atribuem a sua origem ao título de autokrátōr, retirado dos protocolos oficiais da chancelaria e utilizado em referência a um poderio centralizador e ilimitado, como a sua administração teria sido segundo esta vertente. Estes apontamentos historiográficos, entretanto, apresentam divergências com os textos gregos dos panegíricos Das construções e Descrição de Santa Sofia, escritos por Procópio de Cesareia (490–562) e Paulo Silenciário (?-580), respectivamente, que utilizam a forma de tratamento basileús. Procuramos, com base nestes dois autores, oferecer como alternativa de explicação o conceito de basileía sagrada, ao considerarmos o seu emprego principalmente para explicitar um auxílio divino recebido por Justiniano para governar.
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