José Saramago e a reparação do humano: por uma leitura dialética de Ensaio sobre a cegueira
DOI:
https://doi.org/10.47456/675ncc53Palabras clave:
Dialética;, Humano;, Cegueira;, Autoria;, Saramago;Resumen
Este artigo propõe uma leitura crítica do romance Ensaio sobre a cegueira (1995), de José Saramago, a partir do diálogo entre ética, literatura e crítica social. Considerando o comprometimento autoral de Saramago com causas humanas e sua recepção do pensamento marxiano, analisa-se como o romance articula uma posição ativa do escritor diante das mazelas sociais. A epígrafe “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara” é tomada como eixo interpretativo, por antecipar os dilemas éticos do enredo e convocar o leitor à lucidez. A análise se divide em três partes: a epígrafe como denúncia (à luz de Antonio Candido e Gérard Genette); a cegueira como alegoria da degradação social (com base em Eduardo Lourenço); e o romance como convite à ação crítica, evidenciando a dialética entre barbárie e solidariedade. Em síntese, Saramago tensiona os limites entre ver e compreender, propondo uma ética da responsabilidade e do reconhecimento do outro.
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