Linguística textual, interação e cognição social

procedimentos metodológicos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/cl.v15i31.35675

Palavras-chave:

Linguística textual, Interação, Cognição social, Abordagens qualitativa e quantitativa

Resumo

Neste artigo, propomos uma discussão em torno das abordagens metodológicas, passíveis de serem utilizadas nos procedimentos de pesquisa voltados aos estudos textual-discursivos. O caráter interdisciplinar dos estudos textual-discursivos conduz a desafios no que diz respeito às seleções teóricas, epistemológicas e metodológicas, principalmente quando se considera a cognição social e a interação como indissociáveis da produção, da construção e do processamento textual-discursivo. Em relação aos procedimentos metodológicos, pesquisas que se voltam para o texto-discurso, como é o caso da Linguística Textual, em boa parte das vezes, vêm selecionando a abordagem qualitativa nas análises de dados linguísticos. Acreditamos, entretanto, que o tratamento a ser dado aos corpora também possa se situar em um procedimento de “caráter integrativo”, “multimétodo” (TREZ, 2012), em que as abordagens qualitativa e quantitativa estejam inter-relacionadas conforme as finalidades investigativas, estabelecendo um continuum (quali-quanti) assim como Marcuschi (2001) já indicara. Nessa direção, discutimos acerca dessa abordagem mista e como ela vem sendo adotada em algumas pesquisas de texto-discurso do campo midiático. Observamos que as abordagens complementam-se e possuem encaminhamentos e papéis específicos, relacionados aos interesses de pesquisa. Além do mais, identificamos que a análise qualitativa dos resultados quantitativos ocorre em todos os trabalhos examinados. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Anna Bentes, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É professora do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.

Renata Palumbo, Faculdade SESI-SP Educação

Doutora em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade São Paulo (USP). É professora do Departamento de Linguagens das Faculdades SESI-SP.

Zilda Aquino, Universidade de São Paulo (USP)

Doutora em Linguística pela Universidade de São Paulo (USP). É professora do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Referências

BENTES, A. C.; MARIANO, R. D.; ACCETURI, A. C. Temas e estratégias referenciais em Conexão: analisando processos de estabilização e de mudança em um programa televisivo. ReVEL, v. 13, n. 25, 2015.

BRONCKART, J.-P. [1999]. Atividade de linguagem, textos e discurso: por um interacionismo sociodiscursivo. Trad. Anna Rachel Machado e Péricles Cunha. 2. ed. São Paulo: EDUC, 2009.

CANO, I. Nas trincheiras do método: o ensino da metodologia das ciências sociais no Brasil. Sociologias, Porto Alegre, v. 14, n. 31, p, 94-119, 2012.

CRESWELL, J. W. Designing and conducting mixed methods research. Sage Publications: California, 2007.

CRESWELL, J. W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. Trad. Magda Lopes. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.

CRESWELL, J. W.; CLARK, V. L. Plano. Pesquisa de métodos mistos. 2. ed. Porto Alegre: Penso, 2013.

DIOGUARDI, G. Argumentação e Redes Sociais: o tweet como gênero e a emergência de novas práticas comunicativas. 2014. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.

GAMBOA, S. A. S. Quantidade-quantidade: para além de um dualismo técnico e de uma dicotomia epistemológica. In: GAMBOA, S. S.; FILHO, J. C. S. (Orgs.). Pesquisa Educacional: quantidade-qualidade. São Paulo: Cortez, 1995. p. 84-107.

GATTI, B. A. Estudos quantitativos em educação. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 30, n.1, p. 11-30, 2004.

GUIMARÃES, A. M. M.; MACHADO, A. R. Apresentação. In: GUIMARÃES, A. M. M.; MACHADO, A. R.; COUTINHO, A. (Orgs.). O Interacionismo sociodiscursivo: questões epistemológicas e metodológicas. Campinas: Mercado de Letras, 2007. p. 9-18.

GUNTHER, H. Pesquisa Qualitativa Versus Pesquisa Quantitativa: esta é a questão? Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 22, n. 2, p. 201-210, 2006.

JOHNSON, R. B.; ONWUEGBUZIE, A. J. Mixed methods research: a research paradigm whose time has come. Educational Researcher, v. 33, n. 7, p. 14-26, 2004.

JOHNSON, R. B.; ONWUEGBUZIE, A. J.; TURNER, L. A. Toward a definition of mixed method research. Journal of Mixed Methods Research, v. 1, n. 2, p. 112-133, 2007.

KOCH, I. G. V. Linguística textual: retrospecto e perspectivas. Alfa, São Paulo, n. 41, p. 67-78, 1997.

KOCH, I. G. V.; CUNHA-LIMA, M. L. Do cognitivismo ao sociocognitivismo. In: MUSSALIM, F.; BENTES, A. C. Introdução à linguística: fundamentos epistemológicos. São Paulo; Cortez Editora, 2004. p. 251-310.

KOIKE, D.; BENTES, A. C. Tweetstorms e processos de (des)legitimação social na administração Trump. Cadernos Cedes, Campinas, v. 38, n. 105, p. 139-158, 2018.

MARCUSCHI, L. A. Linguística de texto – o que é e como se faz. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 1983. (Série Debates 1).

MARCUSCHI, L. A. Aspectos da questão metodológica na análise verbal: o continuum quantitativo-qualitativo. Revista da Aled, v. 1, n. 1, p. 23-42, 2001.

MINAYO, M. C. S. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 1997.

MORGAN, D. L. Paradigms Lost and Pragmatism Regained: Methodological implications of combining qualitative and quantitative methods. Journal of Mixed Methods Research, v. 1, n. 1, p. 48-76, 2007.

PALUMBO, R. Argumentação e Referenciação: a dinâmica nas orientações argumentativas em debates políticos televisivos. 2007. 193 f. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

PEROVANO, D. G. Manual de metodologia de pesquisa científica [livro eletrônico]. Curitiba: Intersaberes, 2016.

SALE, J. E.M.; BRAZIL, K. A strategy to identify critical appraisal criteria for primary mixed-method studies. Quality & Quantity, n. 38, p. 351-365, 2004.

SANTOS FILHO, J. C. Pesquisa quantitativa versus pesquisa qualitativa: o desafio paradigmático. In: GAMBOA, S. S.; SANTOS FILHO, J. C. (Org.). Pesquisa Educacional: quantidade-qualidade. São Paulo: Cortez, 1995.

SCHNEIDER, E. M.; FUJII, R. A. X.; CORAZZA, M. J. Pesquisas quali-quantitativas: contribuições para a pesquisa em ensino de ciências. Revista Pesquisa Qualitativa, São Paulo, v. 5, n. 9, p. 569-584, 2017.

SIEBER, S. D. The integration of fieldwork and survey methods. American Journal of Sociology, v. 78, n. 6, p. 1335-1358, 1973.

STRIQUER, M. S. R. O método de análise de texto desenvolvido pelo Interacionismo Sociodiscursivo. Eutomia, v. 1, n. 14, p. 313-334, 2014.

TEDDLIE, C., TASHAKKORI, A. Foundations of Mixed Methods Research: Integrating quantitative and qualitative approaches in the social and behavioral sciences. California: Sage, 2009.

THIOLLENT, M. J.-M. Aspectos qualitativos da metodologia de pesquisa com objetivos de descrição, avaliação e reconstrução. Cadernos de Pesquisa, n. 49, p. 45-50, 1984.

TRÉZ, T. A. Caracterizando o método misto de pesquisa na educação: um continuum entre a abordagem qualitativa e quantitativa. Atos de pesquisa em educação - PPGE/ME, v. 7, n. 4, p. 1132-1157, 2012.

VAN DIJK, T. A. Social cognition, social power and social discourse. Social cognition, social power and social discourse. Text, v. 8, 129-157, 1988.

Arquivos adicionais

Publicado

03-10-2021