O que significa ser bilíngue para surdos usuários de Língua Brasileira de Sinais e Língua Portuguesa

uma investigação sobre bilinguismo bimodal e ideologias linguísticas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/cl.v15i32.35903

Palavras-chave:

Libras, Bilinguismo bimodal, Ideologias linguísticas

Resumo

Objetiva-se refletir sobre o uso de línguas de modalidades distintas e discutir as percepções de surdos quanto ao próprio status de bilíngues bimodais. Adotou-se uma visão holística (GROSJEAN, 2008a) para o bilinguismo, entendendo o bilíngue como um todo integrado que não pode ser separado, e não como a soma de dois monolíngues. Defendeu-se a ideia de que bilíngues, sejam unimodais ou bimodais, não têm necessariamente os mesmos níveis de proficiência em cada uma das habilidades e estão situados em um continuum linguístico (MOZZILLO DE MOURA, 1997; MACNAMARA, 1967). Foram adotados os pressupostos sobre ideologias linguísticas de Del Valle (2007), que as define como um sistema de ideias que articula noções ligadas à linguagem e formações culturais, sociais e políticas, e de Woolard (2007), cuja compreensão de ideologias inclui os aspectos sociais e o exercício de poder. Os resultados indicam que os informantes têm consciência de que a Libras é sua primeira língua (BAGGA-GUPTA, 2000), mesmo que a tenham adquirido tardiamente (SILVA, 2015). Porém, averiguou-se que muitos não se consideram bilíngues. Mesmo que tenham vivenciado situações em que ocorreram preconceitos, dificuldades de comunicação ou isolamento linguístico, percebeu-se que, em termos gerais, os informantes aferem valor positivo ao bilinguismo bimodal.

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Biografia do Autor

Aline Behling Duarte, Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pelotas (UFPel); mestra em Letras pela mesma instituição; especialista em Letras – ênfase em Línguas Estrangeiras e graduada em Letras - Português/Inglês e respectivas Literaturas pela UFPel.

Débora Medeiros da Rosa Aires, Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pelotas (UFPel); mestra em Letras pela mesma instituição; especialista em Linguística Aplicada e graduada em Letras – Português/Espanhol e respectivas Literaturas pela UFPel.

Tatiana Bolivar Lebedeff, Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Doutora em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); mestra em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); especialista em Formação de Professores em Educação a Distância pela Universidade Federal do Paraná (UFPR); graduada em Educação Especial – Habilitação em Deficientes da Audiocomunicação pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Realizou estágio Pós-Doutoral Sênior na University College London, com bolsa CAPES e estágio Pós-Doutoral no Montgomery County Comunity College em Ambler, Pensilvânia, com bolsa CAPES. É professora da Área de Libras do Centro de Letras e Comunicação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e professora efetiva do Programa de Pós-Graduação em Letras da mesma instituição.

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Publicado

2021-12-16