Mulher no tambor é tabu? Problemas de gênero e poder no território simbólico dos tambores do Candomblé
DOI:
https://doi.org/10.47456/20253614Palavras-chave:
Genders Problems; Candomble; Cultural Taboo; Afroreligiosity.Resumo
O culto Candomblé é conhecido no Brasil por sua organização estabelecida com hierarquias de poder que se dão por relações de senioridade e por distribuições de cargos e suas respectivas tarefas discriminadas por gênero. Em toda a literatura disponível considerada clássica acerca da ritualística candomblecista, encontraremos, por exemplo, menção aos cargos dos alabês e ogans de toque, como cargos honoríficos exclusivos masculinos destinados aos cuidados técnicos e ao aprendizado e transmissão da liturgia sonora que envolve os tambores consagrados de um lado e de outro o reforço de uma crença em que a presença das mulheres nesse território simbólico não é permitida. A revelia desse pretenso tabu temos encontrado com mulheres tamboreiras do sagrado subvertendo uma pretensa “interdição secular” nos dias de hoje em terreiros de candomblé baianos e a partir dos seus relatos biográficos, também de uma revisão bibliográfica aprofundada sobre o tema, de uma análise de algumas textualidades mitopoéticas e de uma seleção iconográfica pretendemos com o presente trabalho compreender se essas presenças femininas nos tambores consagrados de alguns candomblés tratam-se de um fenômeno novo e crescente ou são resquícios de uma dimensão do culto que foi apagada ante o impacto das culturas patriarcais.
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