Astrologia e poder no Império Romano: a adivinhação do Destino na 'Antologia', de Vettius Valens (século II d.C.)

Autores

  • Semíramis Corsi Silva
  • Vinícius de Oliveira da Motta

DOI:

https://doi.org/10.17648/rom.v0i9.18482

Palavras-chave:

Adivinhação do Destino, Poder, Antologia, Vettius Valens

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar historicamente a obra Antologia, escrita em meados do século II pelo astrólogo Vettius Valens (120-188), observando o papel da influência estoica e, principalmente, de uma noção fatalista de Destino (heimarmene) no contexto do Principado romano. Também analisaremos como Valens apresenta, em seu discurso, a astrologia como uma ferramenta de antecipação à ordem cósmica por meio de uma unio mystica, qualificando, legitimando e justificando, assim, tanto os conhecimentos da tradição mística que deseja integrar, como a profissão daqueles que, como ele, estudam e praticam a arte prognóstica, que deve ser mantida sob certo sigilo e controle. Diante disso, mostraremos como Vettius Valens alega poder e superioridade, um poder, por sua vez, marcado pela capacidade da adivinhação sobre o Destino.

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Publicado

30-06-2017

Como Citar

SILVA, Semíramis Corsi; MOTTA, Vinícius de Oliveira da. Astrologia e poder no Império Romano: a adivinhação do Destino na ’Antologia’, de Vettius Valens (século II d.C.). Romanitas - Revista de Estudos Grecolatinos, [S. l.], n. 9, p. 115–137, 2017. DOI: 10.17648/rom.v0i9.18482. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/romanitas/article/view/18482. Acesso em: 18 jul. 2024.

Edição

Seção

Dossiê: Magia, adivinhação e ritos apotropaicos na Antiguidade