Sobre a Revista

A Revista Farol é uma publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em Arte da Universidade Federal do Espírito Santo. Como periódico da área de Artes, esta revista apresenta-se como um espaço complementar de disseminação da produção teórica sobre arte moderna e contemporânea, História da Arte e pesquisas relacionadas a esses campos.

Notícias

Chamada de trabalhos. Farol n. 35. Contracultura na América Latina

2026-08-13

O dossiê Contracultura na América Latina: dissenso e experimentação dos anos 1960 ao presente propõe uma reflexão sobre as transformações históricas do conceito de contracultura e seus desdobramentos no campo da arte. Longe de constituir uma categoria fixa, a contracultura assumiu sentidos distintos em diferentes contextos sociais, políticos e culturais, o que exige uma abordagem histórica capaz de considerar suas formas de emergência, circulação e permanência. Esse dossiê parte do entendimento de que a relação entre arte e contracultura não se limita aos movimentos que marcaram os anos 1960, mas inclui experiências posteriores que redefiniram os modos de contestação, dissenso e experimentação em diferentes regiões do mundo. Do movimento hippie ao ecologismo atual, observamos a Tropicália, a Nueva Canción, o punk, o hip-hop, os movimento de libertação homossexual, as últimas ondas feministas, o queer, o rastafarianismo, o rock alternativo africâner, o DIY japonês, o riot grrrl, bongo flava, underground de Beirute, a cena queer libanesa, hiplife ganês, Mahraganat egípcio e tantos outros. Em cada caso, tratamos com múltiplas formas de expressão, meios e confrontos institucionais.

As discussões reunidas neste número poderão examinar práticas artísticas, coletivos, instituições, sistemas de circulação, publicações, exposições e debates teóricos que contribuíram para a formação de repertórios contraculturais ao longo das últimas seis décadas. Interessa-nos compreender de que modo cada momento histórico atribuiu sentidos específicos à ideia de contracultura, quais disputas envolveram essa denominação e quais relações se estabeleceram entre produção artística, transformações sociais, tecnologias, formas de comunicação e regimes políticos. Também são bem-vindos estudos que discutam a circulação internacional de ideias e práticas contraculturais, bem como suas traduções locais e suas tensões com instituições culturais, políticas públicas e mercados da arte.

Esse dossiê acolhe contribuições que estabeleçam interlocuções com autores cujas obras constituíram referências para o estudo da contracultura, entre eles Theodore Roszak, responsável por uma das primeiras formulações do conceito, Luiz Carlos Maciel, cuja produção conferiu centralidade ao debate sobre a contracultura no Brasil, Dick Hebdige, que ampliou a discussão por meio dos estudos sobre subculturas, e Stuart Hall, que situou as disputas culturais no interior das relações de poder. Também interessam pesquisas que ampliem esse repertório a partir de perspectivas produzidas em diferentes comunidades e nações da América Latina, sem perder de vista os diálogos possíveis com teorizações que extrapolam nossas fronteiras, com nomes como Achille Mbembe no contexto africano e de Homi K. Bhabha e Gayatri Chakravorty Spivak no campo dos estudos pós-coloniais de origem asiática. O dossiê também recebe estudos que examinem outras tradições intelectuais e historiográficas, desde que contribuam para compreender as transformações históricas da contracultura e seus vínculos com a arte contemporânea em diferentes contextos.

O título Contracultura na América Latina: dissenso e experimentação dos anos 1960 ao presente convida à revisão de narrativas consolidadas e à investigação de experiências que escapam às cronologias convencionais. Entre as questões propostas para debate, destacam-se as mudanças no significado da contracultura após o fim da Guerra Fria, os efeitos da expansão das redes digitais sobre formas de crítica cultural, a incorporação de linguagens contraculturais por instituições e mercados, a emergência de novas formas de organização coletiva e os desafios impostos pela crise ambiental, pelas transformações do trabalho, pelos deslocamentos migratórios e pelas disputas em torno da memória. Nesse horizonte, interessa-nos perguntar quais práticas podem ser compreendidas como contraculturais na última década e quais critérios permitem sustentar essa definição em diferentes contextos históricos e geográficos.

Serão recebidos artigos inéditos de pessoas com titulação de doutorado que apresentem resultados ou discussões teóricas relacionadas ao tema do dossiê. Esperam-se contribuições oriundas da teoria, da história, da crítica e da historiografia da arte, bem como de áreas afins que estabeleçam diálogo consistente com a produção artística contemporânea. Ao reunir perspectivas provenientes de diferentes tradições intelectuais e experiências de pesquisa, esse dossiê pretende ampliar o debate sobre os sentidos históricos da contracultura e sobre sua permanência como categoria de análise para a compreensão da arte produzida entre a década de 1960 e os dias atuais.

 

Período de envios: 13/08/2026 – 25/10/2026

Os textos devem ser enviados de acordo com as normas e o modelo para artigos.

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Edição Atual

v. 22 n. 34 (2026)
Capitura de tela do filme Blade Runner que mostra um boneco de palitos em cima de uma mesa com um cinzeiro do lado. Na parte superior da imagem, lê-se Farol, inverno de 2026, volume 22, número 34. Centro de Artes, Universidade Federal do Espírito Santo. ISSN 1517-7858

A Revista Farol já consolidada como um espaço de circulação de pesquisas, reflexões e experiências no campo das artes, acolhe a diversidade de perspectivas que constituem a produção e o pensamento artístico contemporâneo. Em continuidade à parceria estabelecida com o Seminário Ibero-americano sobre o Processo de Criação em Artes – Poéticas da Criação, iniciado há mais de uma década. A presente edição surge dos encontros, debates e pesquisas que se deram durante a edição do Poéticas da Criação, realizada em formato de residência artístico-cultural, na cidade de Vila Velha (ES), em outubro de 2025. 

Publicado: 2026-07-30

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